Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 19/09/2019

Na década de 60, a revolução verde possibilitou o barateamento e a maior acessibilidade aos produtos agrícolas. No entanto, hodiernamente, mesmo com tais avanços a subnutrição continua sendo um grave problema que, está relacionado à má distribuição de alimentos pelo território brasileiro. Nesse contexto, é necessário analisar os possíveis impasses para que a distribuição seja realizada igualitariamente e assim garantir a nutrição necessária para uma vida plena e saudável.

Primeiramente, é importante entender que o problema não está inteiramente ligado a quantidade de alimento produzido, visto que em uma escala global a produção, teoricamente, saciaria o mundo todo - os aproximadamente sete milhões de habitantes. Logo, percebesse que, o problema é a centralização de tais produtos e como consequência o desperdício dos mesmos. Segundo pesquisas realizadas pelo Embapa, a cultura da fartura favorece o desperdício. Nessa visão, comprar mais do que o necessário colabora para que anualmente toneladas de comida sejam jogadas fora. Comida essa, que poderia ter sido distribuída a locais mais vulneráveis.

Ademais, outro fator que contribui para a ruim distribuição de alimentos são os grandes latifúndios. Durante o período colonial, o Brasil foi dividido pelo sistema de capitanias hereditárias - separação de grandes pedaços de terras que eram dados aos nobres. Tal sistema favoreceu o acumulo de terras improdutivas (os latifúndios), o que gera um obstáculo para acabar com a desnutrição. Uma vez que, a maior parte da produção de alimentos está na responsabilidade dos pequenos produtores que, no entanto, ocupam menos de 50% do território brasileiro. O resto do território que poderia contribuir para que, em áreas menos desenvolvidas haja uma chance de fácil acesso a alimentos e conseguintemente uma distribuição mais igualitária de suplementos, ficam paradas.

Desta maneira, é perceptível que somente avanços tecnológicos (como o propiciado na Revolução Verde) não são suficientes para combater tal problemática. Faz-se preciso que, o Ministério da agricultura juntamente com a Mídia ofereçam informação, por meio de campanhas e debates televisionados em horários nobres, para que, a sociedade saiba dos males que o desperdício gera, assim como formas de combatê-lo - maneiras de reaproveitar os alimentos. Além disso, cabe ao Ministério supracitado e ao Poder Executivo uma maior fiscalização em relação a terras que estejam em estado inconstitucional - como previsto na lei de terras. Dessa forma espera-se que famílias em condição de vulnerabilidade socioeconômica tenham chances de plantar e ter acesso a nutrição significativa.