Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 19/09/2019

No século XX, milhões de ucranianos morreram de fome no genocídio causado por Josef Stalin, conhecido como “Holomodor”. No Brasil atual, um genocídio semelhante é provocado pela distribuição desigual e o desperdício de alimentos em todo o território, que submete milhões de brasileiros à subnutrição e à fome diariamente. Dessa forma, analisar as origens e as consequências desse impasse nacional é medida que se impõe.

Precipuamente, vale discorrer que, há alguns séculos, era impossível comercializar alimentos sem que estes estragassem, uma vez que eram transportados por navios em viagens que demoravam meses. Hodiernamente, entretanto, a globalização, como proferido pelo poeta J. Bossmans, encurtou as distâncias físicas, facilitando o fluxo de produtos. Diante disso, é difícil acreditar que muitos brasileiros não têm acesso aos alimentos, e que quase 3,1 milhões de crianças morrem todo ano devido a má nutrição, conforme o Jornal da USP (Universidade de São Paulo). Logo, fomenta-se a ideia de que o comércio nacional possui uma postura negligente e unicamente capitalista perante a fome e divisão alimentícia no país. Frente a isso, é inadmissível que o lucro se sobreponha às necessidades básicos, como a fome, na vida dos indivíduos.

Ademais, é válido afirmar que o desperdício de alimentos no Brasil corrobora com a subnutrição de seus habitantes. Durante a Revolução Francesa, no século XIX, a monarquia gozava e desperdiçava de uma mesa farta enquanto a população morria de fome. Sob o mesmo ângulo, grande parte da população brasileira esbanja e joga fora, todos os dias, alimentos que poderiam saciar os mais afetados pela fome no país, os quais atingem um número de 5,2 milhões, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO. Além da irresponsabilidade social, o transporte desses produtos consumíveis também corrobora com o desperdício expressivo, já que é responsável pelas 70.000 toneladas de alimentos que acabam no lixo no Brasil, conforme ainda pela FAO.

Dado o exposto, portanto, é crucial que o Governo se atente à distribuição injusta de alimentos no Brasil. Isso pode ser feito mediante criação de leis que obriguem os comerciantes alimentícios a doarem uma parcela do produto final ao mais necessitados, com a finalidade de diminuir a pertinente fome do país. Além disso, é ideal que haja maior fiscalização do Estado nas rodovias brasileiras -porque é o sistema de transporte mais utilizado-, mediante atribuição de multas às empresas que possibilitam o extravagante desperdício de comida, com o fito de evitar que mais alimentos sejam jogados fora no território nacional. Com o mesmo objetivo, a população deve evitar jogar suas refeições no lixo, a partir da empatia e solidariedade aos subnutridos do Brasil.