Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 28/09/2019

Neste ano, o relatório de seguridade alimentar da Organização das Nações Unidas apontou que 26% da populações mundial está em situação de insegurança alimentar. Em contrapartida, a mesma fonte relatou que 672 milhões de adultos no mundo são obesos. Isto posto, levanta-se hipóteses para explicar uma aparente contradição: o capitalismo gera, ao mesmo tempo, escassez e fartura, por meio do imperialismo econômico. Nessa perspectiva, torna-se necessário o fortalecimento das economias de terceiro mundo, com o fim de coibir a fome mundial.

No entanto, faz-se necessário notar que não se pode atribuir o tamanho da população mundial como causa da subnutrição. Para Marx, por exemplo, uma sociedade só pode vir à existência se as condições materiais para subsistência dessa existem ou estão no processo de formação. Nesse sentido, a produção mundial de comida é, na verdade, suficiente para o integral da população. Por conseguinte, a inacessibilidade dos recursos alimentícios deve se dar pelo poder de compra diminuto em nações subdesenvolvidas.

Com efeito, a aproximação recente das economias desenvolvidas à conjuntura não solucionou o problema proposto: a redução de medidas protecionistas nos países de terceiro mundo apenas reduziu a competitividade dos produtos locais frente às importações das potências. Por exemplo, nas Filipinas, a desnacionalização da produção de comida pode ser apontado como uma das causas para uma crise alimentar que perdura até hoje. Logo, a resposta imperialista prova-se ineficaz para a homogeneização distributiva do acesso ao alimento.

Cabe, portanto, aos países do G7 estimular a produção econômica de países e regiões com altos índices de fome. Assim sendo, subsídios provenientes do lucro de exportações para nações de terceiro mundo podem ser utilizados, em contraposição aos programas de ajuste estrutural anteriores, como empréstimos de baixo juros para esses países. Dessa forma, aumenta-se efetivamente o poder de compra dos indivíduos no mapa da fome, o que antecipa maiores mudanças estruturais no campo mundial.