Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 20/09/2019

Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome, enquanto 1,3 bilhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Essa contradição revela que a subnutrição não tem a ver com a falta de produção de alimentos, mas sim com a má distribuição deles muitas vezes devido ao excesso de grandes propriedades rurais concentradas nas mãos de uma pequena parcela da população e à característica capitalista de comercializá-los. Intervenções devem ser feitas para atenuar essa problemática.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a concentração de terras nas mãos de uma minoria de proprietários como um estímulo para a deficiência nutricional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as propriedas com mil hectares ou mais aumentaram de 45%, em 2006, para 47,5% da área total em 2017. Boa parte desses produtos é exportada e isso impossibilita diversas famílias que passam fome ou talvez não possuam nem mesmo moradia fixa de produzirem alimento para sua subsistência. Como consequência disso, obtêm-se refeições desbalanceadas e pobres em quantidade, e o aumento do número de casos de subnutridos no país.

Além disso, a forma capitalista de comercialização desses mantimentos funciona como um gatilho para essa situação, devido ao fato de muitos não possuírem condições financeiras para comprar. Também segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, já é de 13 milhões o número de desocupados no país e, em 2018, treze estados brasileiros possuíam renda domiciliar per capta menor que o salário mínimo nacional, estabelecido em 954 reais. Com pouco dinheiro e a necessidade de cobrir diversas despesas, a qualidade da alimentação fica em segundo plano, o que faz com que muitos omitam frutas, verduras, legumes e proteínas de suas refeições, favorecendo o desenvolvimento de carências nutricionais.

Portanto, a subnutrição é um quadro clínico frequente, devido à impossibilidade que muitos têm de produzir alimentos e ao baixo poder aquisitivo. Cabe ao Estado, promover uma reforma na constituição agrária do país, dividindo grandes propriedades e distribuindo-as para as pessoas que não têm. Além disso, o Governo deve intensificar a fiscalização, investindo em infraestrutura e treinamento dos profissionais atuantes,  a fim de evitar a existência de áreas que não cumpram com sua função social, conforme previsto na Constituição Federal do Brasil de 1988. Isso possibilitaria o cultivo de insumos alimentícios para as pessoas com menos poder aquisitivo para comprá-los e a geração de emprego nesse ramo, o que contribuiria para que mais indivíduos tivessem acesso a refeições ricas em qualidade e quantidade e reduziria o número de subnutridos e subalimentados no país.