Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 20/09/2019

No século XVIII, Thomas Malthus presumiu que o crescimento demográfico seria superior  a produção de alimentos o que resultaria em problemas como a fome e a miséria. No entanto, diante dos avanços tecnológicos, a agricultura se tornou cada vez mais eficiente. Logo, torna-se perceptível que a insegurança alimentar está ligada a fatores mais complexos como a falta de empatia e profundas desigualdades sociais que impedem o desenvolvimento do país.

Primeiramente, é inadmissível que no Brasil - segundo maior produtor de alimentos do mundo, haja a persistência da subnutrição. Conforme o relatório da ONU, mais de 5,2 milhões de brasileiros se juntam ao grupo que ultrapassa um bilhão de pessoas cuja alimentação possuí menos nutrientes do que o nível considerado adequado. Nesse viés, segundo o físico Albert Einstein,”Torna-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade”. Assim, embora existam recursos para diminuir a instabilidade alimentícia mundial, a questão humanitária é pouco considerada uma vez que o lucro é o principal objetivo da sociedade capitalista moderna. Nesse sentido, a empatia - capacidade humana de pensar de acordo com a consciência coletiva, cada vez menos é promovida.           Outrossim, é importante salientar que o acesso aos direitos fundamentais não é homogêneo.  Dessa forma, a subnutrição é, em última análise, um reflexo da omissão do estado que deveria garantir integralmente o bem-estar social, consoante ao pensamento filosófico contratualista de John Locke. Desse modo, é formado um círculo da pobreza o qual não somente dificulta o acesso à alimentos, mas, na maioria das vezes, impede a escolarização. Consequentemente, em um país pouco escolarizado, a maior parte da mão de obra ocupará subempregos que afetam o desenvolvimento social e econômico. Ademais, diante desses problemas na educação, a atenuação da fome é dificultada, haja vista a escassez de pesquisas, como estudos para proporcionar o enriquecimento nutricional com a tecnologia transgênica e o melhor transporte e logística de armazenamento que são responsáveis pelo descarte anual de bilhões de toneladas de alimentos pelos produtores e distribuidores.

Assim sendo, apesar da teoria malthusiana ser desacertada, ela alerta sobre a importância da gestão racional de alimentos. Nesse sentido, o Governo Federal deve ampliar os investimentos em programas de combate à subnutrição por meio de parcerias público-privadas, com o incentivo fiscal para empresas que desenvolverem alimentos mais baratos, nutritivos e resistentes para minimizar os efeitos da sua má distribuição. Além disso, os agentes públicos devem promover a contenção da evasão escolar o que, a longo prazo, irá suprimir o círculo da pobreza e garantirá que a alimentação e demais direitos fundamentais sejam exercidos.