Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 21/09/2019

O sociólogo contemporâneo Zygmunt Buaman, defende que tudo o que é constante e facilmente acessível tende a ser óbvio demais para ser notado, quanto ais para estimular uma reflexão. Desse contexto, a oferta constante de alimentos, vivenciada por muitos, impede a compreensão de uma realidade tão díspar, qual seja a da subnutrição ainda persistente na sociedade, que não mais se relaciona ao déficit produtivo, porém a distribuição e logística. A respeito disso, torna-se fundamental adotar uma postura de enfrentamento da desnutrição, tendo ênfase a democratização do acesso ao alimento, seja para combater desigualdades profundas, seja para transformar uma realidade mutável.

No que concerne ao primeiro ponto, é válido salientar que a subnutrição é uma demonstração da desigualdade que afeta a própria perenidade da vida. Para elucidar essa questão, o filósofo sueco Göran Therborn cunhou o termo “desigualdade existencial” para se referir a redução estatística da expectativa de vida entre as classes sociais menos favorecidas. Posto isso, infere-se que a vulnerabilidade social observada na depreciação do acesso ao alimento ocasiona uma redução do tempo médio de vida, divergindo fortemente nas classes sociais. Desse modo, a parcela da população, sobretudo dos setores de menor prestígio social, tem seu direito básico à vida minado ao ser privada de um recurso tão essencial a sua existência quanto é o alimento, prejudicando o indivíduo enquanto ser.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente ressaltar que a subnutrição é uma problemática injustificável e facilmente reversível pelas vias contemporâneas existentes. Acerca dessa questão, o historiador Yuval Noah Harari, em “Homo Deus” afirma que fenômenos como fome guerras ou desastres não estão além do controle de uma sociedade impotente, pelo contrário, tornaram-se desafios manipuláveis. A partir disso, constata-se que a desnutrição é causada pela desigualdade na distribuição do superávit produtivo, de modo que comunidades mais abastadas são favorecidas, enquanto aquelas com menor poder de polarização são esquecidas, aumentando seu sofrimento e a incidência de males. Assim, transformação de tão nefasta realidade é não só possível como imperativa.

Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de solucionar a questão da subnutrição na contemporaneidade. No tocante a isso, a ONU, por ser o organismo responsável por zelar pelos direitos humanos e pela vivência digna da humanidade, deve criar e ampliar os já existentes programas de autossuficiência alimentícia no mundo. Isso pode ser feito por meio de parceiras multinacionais mediadas, como o caso da “Muralha Verde” na África e parcerias com fóruns de diálogos internacionais como a Organização Mundial do Comercio para inserir as comunidades nas trocas globais. Tudo isso visando a emancipação alimentar a democratização do acesso ao alimento a todos.