Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 21/09/2019

No livro “Quarto de Despejo,a escritora Maria Carolina de Jesus relata a sua luta diária com a fome e adjetiva essa sensação com a cor amarela,marcante na sua visão das coisas e do mundo sob essas condições.De forma análoga,na contemporaneidade esse drama social ainda persiste,uma vez que a subnutrição demonstra-se intrínseca no tecido social brasileiro de maneira devastadora.Dessa forma,faz-se profícuo analisar a má distribuição de alimentos ligada a questões socioeconômicas como pilar desta problemática,destacando os seus efeitos no bem estar social.

Convém ressaltar,em primeiro plano,que mesmo com os avanços técnico científicos de produção alimentar,pós Revolução Verde,a ausência de acessibilidade e as desigualdades socioeconômicas ainda permeiam a realidade de diversos cidadãos,que são privados de usufruir de tais conquistas.Conforme Jean Ziegler,sociólogo suíço,não se pode naturalizar a desnutrição,que é produção humana da sociedade desigual no capitalismo.Nesse prisma,é notório que a estratificação social por critérios de renda e poder aquisitivo promove a distribuição incompatível dos recursos,visto que o capital é privilegiado em detrimento das necessidades fisiológicas básicas dos indivíduos.Logo, a subnutrição, no Brasil, não se alicerça na escassez de alimentos, mas sim na viabilidade financeira das pessoas em comprá-los.

Outrossim,é válido destacar que a privação alimentar constitui-se como uma mazela social corrosiva a manutenção da qualidade de vida do cidadão e ao desenvolvimento do país.Isso porque a carência de nutrientes essenciais a homeostase corporal gera prejuízos físicos e mentais, os quais afetam a cognição, a prática laboral e acarretam o surgimento de diversas doenças. Por conseguinte, as pessoas submetidas costumeiramente à fome dificilmente conseguem ascender socialmente , em razão das limitações físicas e intelectuais, o que pode propiciar a perpetuação dessa condição. Ademais, o aumento da violência nos centros urbanos e rurais também é um dos reflexos da problemática, já que, muitas vezes, para saciar a fome da família, a prática de pequenos furtos apresenta-se como única alternativa para obtenção de alimento.

Torna-se evidente,portanto,que as disparidades marcantes no território brasileiro sustentam um ciclo de subnutrição lesivo ao bem comum,salientando a necessidade de ações orquestradas de combate ao problema.Para tanto,cabe ao Ministério da Educação,junto ao Poder executivo,por meio de investimentos locais,a promoção de uma alimentação de qualidade a todos os alunos de escola pública, adquiridos por meio de produtores locais, a fim de incentivar a produção regional e a geração de empregos,bem como garantir, pelo menos, uma refeição a esses jovens.