Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 23/09/2019
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente a má distribuição de alimentos é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da fome que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela retrógrada mentalidade social, seja pela negligência governamental.
É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a desigualdade social rompe essa harmonia; haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos são iguais perante a lei, muitos cidadãos se utilizam de privilégios de uma base familiar com boa condição monetária para externar o preconceito de que programas de assistência social do governo é para “vagabundos”.
Segundo o Jornal USP, a subnutrição ocorre por falta e acesso aos alimentos, não por falta da existência deles, destacando-se a desigualdade social como o principal impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito contra assistencialismo governamental se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação desse pensamento, transmitido de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de preconceito, perpetuando o problema no Brasil.
Infere-se, portanto, que o preconceito da sociedade contra pessoas sem acesso à alimentação e o pequeno auxílio do governo em combate a fome é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Governo Federal obrigar os municípios construir geladeiras comunitárias, a fim de atenuar a subnutrição na sociedade. Ainda cabe à escola criar palestras sobre as diferentes classes sociais, visando a informar crianças e jovens que nem todos tem a mesma base familiar no país e o governo tem como função atenuar a desigualdade social, diminuindo, assim, o preconceito contra programas assistencialistas governamental. Ademais, cabe a sociedade cobrar os políticos, a fim de distribuir verbas governamentais corretamente. Assim, poder-se-á transformar o Brasil, em um país desenvolvido socialmente e criar um legado de que Brás Cubas, pudesse se orgulhar.