Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 10/10/2019
O documentário “A Ilha das Flores” apresenta a trajetória de um tomate, desde a colheita até a chegada ao lixão da ilha, onde as crianças disputam alimentos que, infelizmente, não servem sequer para os porcos. Analogamente, o documentário apresenta características que se assemelham ao contexto social, uma vez que a subnutrição e a má distribuição de renda são fatores diretamente relacionados. Nesse âmbito, pode-se dizer que não só as desigualdades sociais como também a ineficiência do Poder Público contribuem para a perpetuação desse cenário. Dessa forma, é necessária a tomada de novas medidas para que se resolva a questão.
A priori, é importante destacar que o alimento é essencial para a sustentação e o desenvolvimento do indivíduo. Em contrapartida, as populações que não possuem a quantidade e a variedade adequada de nutrientes ingeridos devido, muitas vezes, a má distribuição, podem desenvolver inúmeras doenças, como raquitismo, escorbuto, dores de cabeça, dentre outras. Nesse contexto, as desigualdades sociais e a disputa por alimentos em locais impróprios se tornam mais sérias que, infelizmente, poderá agravar a saúde do cidadão. Tal fato pode ser relacionado de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde em uma pesquisa foi revelado que grande parte da população vive com cerca de cinco dólares por dia.
A posteriori, cabe destacar que apesar do aumento exponencial da produção agrícola, após a Revolução Verde, a oferta de alimentos é afetada que, por sua vez, eleva os índices de subnutrição. Nesse sentido, uma grande parcela dos alimentos produzidos, muitas vezes, são perdidos e descartados sem ao menos chegar ao consumidor que, consequentemente, contribui para que os preços se tornem inacessíveis para as classes desfavorecidas. Nesse contexto, com a malha rodoviária brasileira em péssimas condições, contribuem para que grandes toneladas de alimentos transportados se percam e, também, tornem-se mais caros. Tal fato pode ser comprovado de acordo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, no qual afirma que, no Brasil, 10% dos alimentos disponíveis são perdidos na agricultura. Assim, a reversão dessa realidade poderia amenizar a carência nutricional de muitos brasileiros.
Torna-se necessário, portanto, que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Cultura, possam ensinar os agricultores rurais acerca da diminuição os desperdícios na produção, por meio de minicursos profissionalizantes, ministrados por agrônomos e engenheiros ambientais, com o objetivo de garantir uma maior acessibilidade e qualidade desses alimentos por toda a população.