Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 02/10/2019

No século XVIII, o economista britânico, Thomas Malthus justificava o controle demográfico com base em projeções que demonstravam que a população cresceria muito mais rapidamente do que a produção de alimentos,ocasionando em poucos anos, sua escassez. Posteriormente, com a Revolução Industrial, essa teoria perdeu sua validez, já que as novas tecnologias proporcionaram um aumento exponencial na quantidade de produtos alimentícios. Contudo, essa produção não foi acompanhada de uma distruição efetiva dos recursos pelos continentes, sendo esta, a causa majoritária da subnutrição de cerca de 80 milhões de pessoas no mundo. Para tanto, é necessário analisar as causas dessa problemática e elaborar políticas públicas que amenizem esse impasse.

Em primeira análise, é preciso distinguir os conceitos de fome e subnutrição, o primeiro está restrito à falta de alimento, e o segundo se refere à falta de alimentos diversificados que forneçam todos os nutrientes necessários à saúde humana. E é especialmente na distribuição de terras que se encontra o cerne deste problema, visto que no Brasil, 70% das terras agricultáveis são pertencentes aos grandes proprietários de terra, cuja produção é, em sua maioria, monocultora e agroexportadora. Dessa forma, os produtos diversificados, vindos dos pequenos produtores policultores, são cada vez mais negligenciados pelo Estado, o que ocasiona, o aumento dos preços e a consequente inacessibilidade desses alimentos ao cardápio dos brasileiros, sobretudo dos mais pobres.

Outro aspecto a ser abordado, é o descarte de alimentos que  por uma simples imperfeição, como no caso de frutas e verduras, são preteridos, sendo que poderiam ter uma boa parte reaproveitada. É o que mostra o documentário ‘‘Ilha das Flores’’, do cineasta Jorge Furtado, que narra o caminho do tomate do campo de cultivo até o aterro sanitário, e demonstra que algo que é considerado lixo para alguns, é considerado alimento para outros.

Portanto, o Ministério da Agricultura, como órgão promotor da segurança alimentar e ambiental, deve, por meio de verbas governamentais, redistribuir as terras agricultáveis no Brasil, de modo que mais de 50% delas sejam destinadas à policultura e ao mercado interno, reduzindo o preço da terra aos pequenos proprietários rurais, já que, consequentemente, isso reduzirá também o preço desses alimentos nos centros de venda, facilitando o acesso dos brasileiros a todos os nutrientes necessários à saúde humana. Some-se a isso, esse mesmo ministério, deve elaborar cartazes destinados aos consumidores, que serão distribuídos em mercados e hortifrutis, com dicas de armazenamento e reaproveitamento dos alimentos comprados. Assim, poder-se-á, diminuir os índices de subnutrição em nosso país, e concomitantemente, evitar o desperdício de alimentos com grande potencial nutricional.