Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 24/10/2019

Segundo a filósofa brasileira Marilene Chauí, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol do outro. No entanto, tal premissa dificilmente é cumprida, visto a subnutrição no Brasil e sua correlação com a má distribuição de alimentos. Nesse âmbito, convém compreender de que forma a concentração de terras e o individualismo contribui para a problemática.

Em primeiro plano, é válido analisar fatores que permitem a manutenção do impasse. Nesse sentido, de acordo com dados do jornal G1, 50% da área rural do Brasil é controlada por 1% dos cidadãos. Sob tal ótica, é possível conceber a concentração fundiária como relevante, uma vez que grande parte de tais terras são compradas de pequenos agricultores, esses ao venderem as suas terras, migram para os centros urbanos e se fixam nas periferias. Por consequência, muitos vivem em locais com qualidade de vida deplorável e pouca condição para adquirir alimentos.

Outrossim, é importante destacar como a falta de empatia faz com que não se pense naqueles que passam fome. Nesse viés, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, estamos vivendo sob uma Modernidade Líquida, na qual, a sociedade é marcada pela fragilidade das relações sociais, como o individualismo. Decorrente a isso, enquanto muitos consomem alimentos de forma inconsciente outros, não têm com o que saciar a fome.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para mudar o quadro atual. Para a conscientização dos cidadãos a respeito do impasse, urge que o Ministério da Educação e Cultura -MEC, crie por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem dados acerca da má distribuição de alimentos bem como as suas causas e implicações. Desse modo, a visão de democracia defendida por Marilene Chauí será cumprida, tendo assim uma diminuição no número de casos de subnutrição no Brasil.