Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 22/10/2019

O capitalismo era o eixo temático e elementar na discussão sobre liberalismo econômico de Adam Smith, na tentativa de aprimorar o sistema. Para o filósofo, era preciso discutir questões morais e garantir o necessário ao ser humano para, então, falar de igualdade no capitalismo. No entanto, Karl Marx, filósofo antagônico a Smith, propunha uma retórica de tomada dos meios de produção e, nesse sentido, fim do sistema capitalista. Apesar de correntes filosóficas opostas, ambos concentravam-se em resolver uma problemática em comum: a desigualdade social e a má distribuição de renda. Seguindo essa exegese econômica e política, discute-se acerca, na mesma logicidade, da subnutrição e a relação com a má distribuição de alimentos, fato comum ao capitalismo.

Por conseguinte, outro aspecto da investida de progresso do mercantilismo, a combinação genética de um organismo para plantio, assim conhecido como transgênico, marcou o começo do séc XXI com a promessa de erradicar a fome. No entanto, segundo Hugh Lacey, em Valores e Atividades Científica, a implantação de sementes modificadas possibilitou que as grandes empresas conseguissem patentes e garantissem sigilo sobre o método de produção das sementes. Com isso, o sistema capitalista sela sua principal característica: o lucro.

Contudo, o obstáculo não está, de acordo com a FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura], em produzir e plantar os alimentos, mas em distribuí-los. Segundo a mesma organização, cerca de 12,5% da população mundial está em subnutrição, visto que em países pobres o acesso a alimentação é impossibilitado pela renda. Dessa forma, retoma-se a hermenêutica de Marx para compreender que não basta produzir alimento o suficiente para suprimir a fome, são necessárias políticas públicas e consciência de classe capazes de dar indivíduo noção suficiente de sua existência e poder de compra, bem como compreensão do valor de sua força de trabalho.

Portanto, de acordo com as informações apresentadas, diligências devem ser tomadas a fim de discutir, de forma resolutiva, sobre a fome mundial. A ONU [Organização das Nações Unidas] deve juntar-se as grandes potências mundiais para defender políticas econômicas mais inclusivas à países em desenvolvimento, na tentativa de aliviar sanções e facilitar o acesso aos alimentos. Assim, empresas como a Monsanto, que controlam o mercado mundial de transgênicos, precisam integrar as plantações em territórios de países emergentes, para que esses consigam diminuir os índices de subnutrição. Logo, como apresenta Smith e Marx, faz-se necessário enfrentar a política em direção a igualdade.