Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 23/10/2019
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que o índice de subnutrição populacional, devido a falta de acesso à alimentos, principalmente nas regiões mais carentes, é alarmante. Sob esse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: as más condições de transporte e o desperdício causado por grupos privilegiados economicamente. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam reduzir a taxa de subnutrição no país devem ser tomadas.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que o êxodo rural, ocorrido com maior intensidade a partir do século XX, é uma das causas da subnutrição. Ao deixarem os campos, por consequência, as famílias abnegaram o processo de plantação do próprio alimento e começaram a depender dos mercados locais, que muitas vezes são abastecidos a partir de fornecedores distantes. Segundo dados da Organização das Nações Unidas da Agricultura e Alimentação, 50% de toda produção brasileira é desperdiçada durante o transporte. O descuido com a temperatura e armazenagem insalubre dos alimentos são exemplos de casos favorecidos pela falta de uma fiscalização mais rigorosa sobre as empresas de transportação, gerando uma menor quantidade de produtos ofertados.
Concomitantemente, soma-se ao supracitado que há uma tendencia social ao exagero. Pessoa com boas condições econômicas acabam comprando mais do que é necessário e, de acordo com um relatório elaborado pela FAQ, 50% do que é comprado vai para o lixo. Entretanto, o desperdício não ocorre apenas nas famílias, já que grande parte dos mercadores descartam os alimentos, sobretudo frutas, por não atenderem os pré-requisitos de boa aparência. Um dos conceitos filosóficos de Francis Bacon, que declara o comportamento humano como contagioso, se aplica perfeitamente a situação, onde há uma necessidade de sempre ter muito do melhor. Enquanto isso, a subnutrição devido a má distribuição de alimentos permanece para apenas um determinado grupo social.
Perante o exposto, é necessário medidas intervencionistas governamentais. O Poder Legislativo deve, por meio de uma ementa, tornar as punições mais severas quando as transportadoras não seguirem as recomendações da ANVISA, devendo aumentar o valor da multa, como também obrigar que façam doação de alimentos às comunidades carentes. Além do mais, o Ministério da Educação deve investir em escolas programas de educação alimentar que abordem sobre consumo consciente, para que as crianças cresçam com maior pensamento crítico social. Com essas medidas será possível perceber uma redução gradual do desperdício de alimentos e, consequentemente, da subnutrição brasileira.