Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 23/10/2019

A subnutrição vai além da fome, ela causa debilidade orgânica, física, mental e morte. Esse fenômeno está, muitas vezes, associado à má distribuição alimentos. Esse fato evidencia a desigualdade social no Brasil narrada no século passado na obra “Casa grande de senzala” de Gilberto Freyre, em que há muita comida para poucos. Diante disso, percebe-se que há alimento suficiente para todos, no entanto ele é mal distribuído. Assim sendo, cabe análise das causas, consequências e possível solução.

Em primeiro lugar, é importante evidenciar os fatores que produzem essa má distribuição. Nesse contexto, poderia-se invocar a teoria Malthusiana da escassez, segundo ela, “a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, enquanto a população cresce em progressão geométrica”. Passado quase dois séculos, essa tese não foi comprovada, porque há alimentação suficiente para todos; o problema é que não chega a todos os lares. Por conta disso, segundo a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, 13 milhões de pessoas passam fome no país.

Em segundo lugar, vale ressaltar os efeitos dessa desigualdade. Logo, o alimento que falta à mesa de um, é tão abundante na do outro, que chega a gerar um desperdício em cerca de 30%, por não ser consumido. Essa perda é responsável por um prejuízo anual de 2,2 bilhões para os cofres públicos, consoante reportagem da Revista Superinteressante. Conhecedor desse fato, nota-se que é possível melhorar a condição de vidas dos mais pobres, apenas aproveitando o que é desperdiçado.

Infere-se, portanto, que não há falta de comida como previu Malthus. Assim sendo, cabe ao Estado, como curador do contrato social e promotor do bem-estar da nação, estimular a criação de cooperativas de catadores de comida e financiá-las. Uma vez credenciadas, elas deverão recolher os alimentos que seriam descartados por restaurantes e feiras. Esses, serão industrialmente desidratados, embalados e vendidos por preços irrisórios para os pobres. Dessa forma, as cooperativas se autofinanciariam e a população seria beneficiada com a redução da subnutrição.