Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 07/01/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a ineficiência na distribuição de alimentos no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto das estradas em péssimas condições para uso, quanto da pouca utilização de transportes por meios fluviais e ferroviários. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a subnutrição do brasileiro deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grande parte dos alimentos produzidos, em território nacional, são desperdiçados. Tal fato deve-se a más condições das estradas no país, pois, o alimento é uma carga altamente perecível e carece de um transporte rápido e confiável, o que não acontece na prática, pois existem várias estradas intransitáveis no Brasil. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a ínfima utilização de transportes alternativos como promotor do problema. De acordo com site www.g1.globo.com.br, em 2017, 86% das cargas brasileiras são transportadas por meios rodoviários. Partindo desse pressuposto, o transporte de grandes volumes e alta eficiência como os ferroviários e fluviais são pouco usados no Brasil, o que torna o país extremamente dependente de caminhões e carretas.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o ineficiência do transporte de alimentos no Brasil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Transporte, será revertido em investimentos nos meios alternativos de carregamento, através da ampliação da malha ferroviária e o desenvolvimentos de portos nacionais, os quais darão maior confiabilidade e autonomia ao transporte. Também, é necessária uma maior intervenção do Estado em relação a conservação e manutenção de estradas públicas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da má alimentação do brasileiro e a coletividade alcançará a Utopia de More.