Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 03/02/2020
A Revolução Verde, iniciada entre meados da década de 1950, tinha como objetivo solucionar a epidemia da fome em esfera mundial a partir da modernização agrícola. Nesse espectro, a engenharia genética passou a determinar os paradigmas da agricultura, por meio da plantação de transgênicos e pela introdução de maquinários no campo. No entanto, tal fenômeno não amenizou a subnutrição e a má distribuição de alimentos no mundo, sobretudo nos países subdesenvolvidos. Dessa forma, é profícuo expor e viabilizar medidas para mitigar tal quadro alarmante no Brasil.
É imperativo postular, a priori, que a concentração fundiária faz-se um fator determinante no que tange à distribuição de alimentos. Segundo dados do IBGE, o predomínio de latifúndios no espaço agrário brasileiro é uma realidade nacional, o que constitui uma problemática sociocultural de raíz colonial, uma vez que a Lei de Terras, em 1850, capitalizou as propriedades e, assim, tornou mais difícil a aquisição destas. Nessa lógica, o agronegócio pós-moderno reproduz desigualdades históricas devido à inércia social e do Governo para com as medidas efetivas para aplacar o quadro agrícola vigente, tornando o Estado um agente perpetuador do quadro de insegurança alimentar nacional. Logo, é substancial que mudanças sejam realizadas para amenizar essa problemática.
É lícito ressaltar, a posteriori, que a modernização agrícola gerou impactos contraditórios no espaço agrário dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Tal fato pode ser comprovado por meio da produção para demandas externas prevalecer em países como o México e o Brasil, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o que revela uma incoerência no modelo agrícola vigente, que não solucionou o problema da subnutrição em nações mais pobres. Nesse viés, é fundamental que haja uma verdadeira revolução campestre no mundo.
Em virtude dos fatores mencionados, urge que propostas sejam concretizadas para solucionar esse cenário caótico. Portanto, cabe ao Estado, por meio de órgãos específicos, como o Ministério da Agricultura, fornecer subsídios para trabalhadores rurais de agricultura de subsistência e de produção familiar, a partir de verbas públicas, a fim de aumentar o abastecimento do mercado interno e incentivar projetos agrícolas sustentáveis. Ademais, cabe à sociedade civil, por meio de organizações populares, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), pressionar o Poder Público para que haja uma reforma agrária em âmbito nacional, a partir da fiscalização e da ocupação de grandes propriedades improdutivas e sem funcionalidade social. Assim, observar-se-ia uma melhoria gradativa no que tange à irregularidade alimentar e no quadro de subnutrição do país.