Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 27/02/2020
“A fome é amarela e dói muito” a frase dita por Carolina Maria de Jesus em seu livro “Quarto de Despejo” retrata a dura realidade de uma das maiores favelas brasileiras localizada em São Paulo. Na autobiografia, Carolina vai até açouges e mercados em busca de alimentos para nutrir seus filhos e procura por qualquer resto que esteja comestível. O estado, reconhecido por seu desenvolvimento social e econômico, é palco para um problema humano grave, a fome, devido ao desperdício de grandes centros de abastecimentos e o preço elevado da comida.
Em primeiro lugar, é importante salientar que o direito humano à alimentação adequada é assegurado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Entretanto, famílias que não dispõem de condições financeiras não possuem dinheiro para custear o próprio alimento por conta de seu preço elevado, consequência de sua má distribuição em que os melhores produtos estão retidos em grandes centros urbanos, locais onde há uma população mais rica e, consequentemente, mais consumidora. Tal situação é mostrada nas cenas em que Carolina necessita andar quilômetros na tentativa de assegurar alimento aos seus filhos. Logo, aqueles que estão longes das metrópoles são excluídos de um direito humano.
Ademais, o desperdício de alimentos é outro fator que auxilia na crescente taxa de subnutrição no Brasil. Até o produto chegar nas mãos do consumidor ele passa por diversos processos que condenam tal alimento ao lixo, como no mal armazenamento e manuseio, assim, pode possuir uma aparência que não se encaixa em exigências do varejista ou da própria população. Nesse sentido, alimentos saudáveis que poderiam ser consumidos são descartados enquanto milhões de pessoas estão com suas mesas vazias.
Diante dos fatos citados, medidas são necessárias para combater esta problemática. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional a construção de mercados varejistas em locais marginalizados com alimentos a baixo custo por meio de contratos públicos com parcerias privadas de grandes mercados afim de oferecer à população oportunidade de escolha de seus próprios alimentos. Além disso, é necessária uma maior fiscalização feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante todo o processo de mercantilização por meio de uma equipe de engenharia de alimentos. Somente assim, espera-se que outros brasileiros não vivenciem o drama de Carolina.