Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 20/03/2020

O documentário brasileiro “Garapa” relata a história de moradores do estado do Ceará, os quais encontram-se envolvidos pela miséria e buscam, diariamente, conseguir alimentos para nutrir seus familiares, mas, devido à desigualdade alimentícia presente nessa região, enfrentam obstáculos para impedir uma dieta escassa. Fora da narrativa, esse cenário de subnutrição também é atual no restante do país e tornou-se um sério problema, visto que – seja pelo individualismo produtivo, ora pela ineficiência estatal – promove a perda da vida saudável e dificulta o desenvolvimento básico de inúmeras pessoas.

A princípio, cabe analisar o egoísmo produtivo sob a visão do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo o autor, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em resultados individuais. Analogamente, o recente setor alimentício de produção contradiz esse pensamento ao visar somente seu contexto de lucratividade e ignorar ações de distribuição nutritiva para indivíduos carentes – como o abastecimento alimentar e incentivo agrícola em regiões de vulnerabilidade social. Por consequência, a repartição desigual dos alimentos facilita o surgimento de áreas subnutridas e, sobretudo, restringe a qualidade de vida nesses locais.

Ademais, além do setor produtivo, o papel estatal ineficiente também contribui na problemática e convém ser contestado sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contrapõe essa ideologia ao promover poucos projetos de combate à alimentação insuficiente, os quais, frequentemente, são realizados com baixo auxílio humanitário e um reduzido investimento econômico para a recuperação de locais que exibem escassez alimentícia. Logo, observa-se o aumento de pessoas que não apresentam comida suficiente para sobreviver, uma vez que, segundo a Organização das Nações Unidas, o número de brasileiros desnutridos chegou próximo a 5 milhões no ano de 2019.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, ONGs assistencialistas, por meio de trabalhos voluntários com grandes empresas do setor alimentício, devem criar medidas para o desenvolvimento da agricultura familiar, especialmente em regiões carentes e que exibem famílias subnutridas. Dessa maneira, será possível oferecer oportunidades para essas pessoas conquistarem o próprio sustento e reduzir a má distribuição de nutrientes pelo país. Além disso, o governo, a partir de programas de repartição financeira, deve aumentar o poder de consumo das classes mais baixas para facilitar o acesso alimentar, a fim de garantir a inclusão da alimentação saudável e impedir cenários de desnutrição entre os cidadãos, assim como ocorreu no documentário “Garapa”.