Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 12/04/2020
“Pão, paz e terra” foi o lema dos bolcheviques em 1917 pouco antes da Revolução russa. Tal slogan mostrou ao mundo que a paz, a comida e a moradia são três dos principais direitos exigidos aos indivíduos, posteriormente assegurados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Contudo, no contexto contemporâneo nacional, nota-se que, em virtude da desigual distribuição de alimentos, surge, lamentavelmente, a subnutrição em parcela significativa da população, caracterizando, assim, uma fuga à garantia dos direitos sociais inerentes ao homem. Dessa forma, percebe-se a necessidade de combater os fatores causadores dessa problemática.
Antes de tudo, é válido mencionar o péssimo gerenciamento econômico no que concerne ao combate à fome. A esse respeito, Karl Marx defendeu a ideia de que o capitalismo gera o suficiente para alimentar toda a população mundial, porém tais alimentos concentram-se na posse de uma elite privilegiada. Dessa forma, é importante salientar que, de acordo com a FAO, cerca de setenta mil toneladas de alimentos são disperdiçadas anualmente no Brasil. Pode-se concluir, portanto, que, apesar de muitos indivíduos não possuirem o suficiente para se alimentar de forma digna por um lado, muitas pessoas têm acesso a mais alimento que o suficiente por outro. Logo, nota-se que a ausência de políticas públicas voltadas a melhor distribuição alimentícia propicia a permanência desse quadro catastrófico no país.
Por conseguinte, tornam-se evidentes as crueis consequências sociais provocadas por tal negligenciamento estatal. Acerca dessa premissa, dados da ONU sugerem que cerca de trinta por cento das mortes infantis no mundo são provocadas pela subnutrição. Ademais, segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, a função do Estado democrático é a garantia da equidade dos direitos socias, tais como saúde, educação e saneamento básico. Assim, percebe-se que o descaso de alguns governantes perante a proteção da saúde pública configura-se como um ato de total irresponsabilidade, aja vista a perpetuação de toda a estrutura desigual no que tange ao acesso à comida no Brasil, que provoca o aumento dos casos de morte ligadas à subnutrição.
Em suma, vê-se a importância na busca pela garantia de uma estrutura que possibilite um acesso digno à alimentação de todos os setores da sociedade. Cabem, então, ao Ministério da Cidadania e ao Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, promover o aumento de políticas públicas voltadas a cestas básicas à população carente. Tais cestas deverão ser distribuídas a pessoas de renda inferior a um e meio salário mínimo e seus custos deverão ser ascados pelos estados da federação. Com isso, espera-se promover melhor distribuição alimentícia, cumprindo o lema da Revolução russa.