Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 20/04/2020
No livro “Quarto de Despejo”, de Carolina de Jesus, é retratado, na forma de um diário, o cotidiano da escritora na luta contra a fome durante sua vida na favela do Canindé, na década de 40. Fora da literatura, a questão social da obra ainda está presente na sociedade, uma vez que a subnutrição ainda é um problema fruto da desigualdade social e da ineficácia governamental em combater a fome no Brasil.
A princípio, cabe destacar o papel do sistema como provedor das desigualdades sociais, que termina por atingir a equidade de distribuição alimentar. Nesse âmbito, Karl Marx, sociólogo alemão, disserta sobre a questão do capitalismo ser um mecanismo hostil de submissão dos desfavorecidos perante as classes sociais privilegiadas. E, perante essa situação, com a posse dos meios de produção pela burguesia, as mercadorias são destinadas a quem pode pagar, de modo a propagar a desigualdade na obtenção de alimentos e maximizar a subnutrição da população desfavorecida. Assim, tais indivíduos de baixa renda são obrigados a lutarem para conseguir uma refeição dia após dia, como na história de Carolina de Jesus.
Outrossim, a ineficiência do Governo perante a questão da fome no Brasil é alarmante. Segundo o artigo sexto da Constituição de 1988, todos os cidadãos têm direito ao bem-estar e à alimentação, porém tais prerrogativas legais não são postas em prática. Perante isso, dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas destacam que cerca de 70.000 toneladas de alimentos, que poderiam ir para pessoas necessitadas, são desperdiçados todos os anos no Brasil. E, diante desses dados, o sistema governamental ignora as necessidades básicas da população à medida em que deixa de realizar políticas públicas para impedir o desperdício de alimentos que, com gestão eficiente, poderiam alimentar os indivíduos que necessitam.
Destarte, medidas são necessárias para que a fome possa ser combatida. O Ministério da Cidadania, em parceria com empresas do ramo alimentício, deve elaborar kits com alimentos que são inaptos para a venda com o intuito de serem reaproveitados, especialmente, para as famílias que apresentam vulnerabilidade social. Isso deve ser realizado de modo a promover isenções fiscais às empresas participantes dessas ações sociais com o fito de diminuir a subnutrição da população e, por conseguinte, diminuir as disparidades no acesso aos alimentos no Brasil. Desse modo, enfim, a questão da fome poderá ser mitigada e presente só no campo literário.