Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 19/04/2020

Holodomor é uma palavra ucraniana que quer dizer “deixar morrer de fome”. Tal palavra passou a ser empregada no contexto da história ucraniana para definir os acontecimentos que levaram à morte por fome de milhões de ucranianos entre os anos de 1931 e 1933. Hodiernamente, existem situações análogas ao “holdomor” moderno, como a escassez de alimentos nas regiões mais descentralizadas, o que leva a morte, por fome, de milhares de brasileiros. Nesse contexto, não há dúvidas de que a distribuição sustentável de alimentos é um desafio no Brasil, o qual ocorre não só devido à negligência governamental, mas também ao mercado especulativo que lucra em detrimento da fome alheia.

Nesse cenário, o alimento é uma necessidade fisiológica, que, com a sua falta, o indivíduo não produz e morre por inanição. Entretanto, de acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação do bem-estar do indivíduo, só é efetiva quando atinge toda a sociedade. Dessa maneira, a desnutrição ocorre justamente pela ineficácia do Estado em prover distribuição de renda e alimentos em áreas remotas e periféricas brasileiras, o que faz com que o direito do cidadão ao acesso à alimentação permanecer no papel.

Ademais, devido a alta do dólar, as exportações de alimentos crescem e com isso, o mercado interno fica desabastecido, além de inflacionar os preços. Isso pode ser explicado pelo teórico Pierre Bourdieu, o qual afirma que todas as minúcias de um indivíduo constituem simbologias que estão constantemente analisadas pelo corpo social, isto é, o poder de compra, as características pessoais e o acesso a bens e serviços refletem quem é o homem para outrem. Dessa forma, o alto custo da alimentação praticado pelo mercado especulativo, violenta, simbolicamente, àqueles que não conseguem comprar comida e aumenta a desigualdade.

Portanto, cabe ao Governo - órgão máximo do poder executivo - promover a interiorização de acesso à alimentos, por meio da implantação de política de distribuição cestas básicas em áreas distantes dos polos econômicos, no intuito de tornar acessível alimentação para as camadas marginalizadas da sociedade. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Fazenda, criar um projeto, chamado Brasil sem Fome, que vise isentar de impostos, os produtos básicos alimentares, para que a população de baixa renda seja beneficiada. Como efeito social, a democratização do acesso alimentar no Brasil será uma realidade, destruindo, assim, barreiras e “holdomores” sociais.