Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 05/05/2020

Desde de 1988, com a promulgação da atual constituição, o país vive a expectativa de uma conjuntura política e social propagadora da segurança alimentar e do bem-estar coletivo. Contudo, a subnutrição associada a má distribuição dos alimentos vai de encontro a esse anseio, uma vez que restringe e desqualifica a vida de muitos. Nesse sentido, a má administração pública e a falta de diálogo corroboram com a manutenção desse cenário preocupante. Logo, medidas devem ser tomadas pelo Ministério da Cidadania e pela sociedade organizada.

Decerto, a má gestão dos recursos públicos é um impasse para garantir a distribuição igualitária dos alimentos no território. Pode-se citar, por exemplo, a frase do presidente Jair Bolsonaro: “falar que se passa fome no Brasil é uma mentira”, dita durante uma entrevista coletiva em julho de 2019, que associada à extinção temporária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em janeiro de 2019, evidencia o desinteresse do atual governo em conhecer e solucionar os problemas da parcela mais miserável da população. Consequentemente, a desigualdade social torna-se cada vez mais aparente no território, haja vista que 5,2 milhões de brasileiros são privados de seu direito à alimentação, segundo a Organização das Nações Unidas. Assim, é fundamental que o Estado, aliado ao Ministério da Cidadania, aplique corretamente os recursos públicos.

Ademais, outro agravante é a falta de um debate amplo envolvendo os diversos segmentos sociais sobre a má distribuição de alimentos como preconizadora da subnutrição, pois o que se vê diariamente é o consumo e o desperdício desregrado de alimentos nas residências brasileiras. Nessa perspectiva, atualmente, segundo a ONG Banco de Alimentos- organização que busca combater a fome e o desperdício de alimentos- cada brasileiro desperdiça mais de meio quilo de alimento por dia. Por consequência disso, muitos não têm consciência do papel primordial que exercem no combate à subalimentação. Desse modo, parafraseando o filósofo Jurgen Habermas, a “razão comunicativa” é essencial para a superação dessa situação.

Compreende-se, portanto, que a má administração pública e a falta de diálogo são impasses a serem superados. Para tanto, o Ministério da Cidadania deve priorizar e viabilizar a aplicação correta dos recursos públicos, por meio de investimentos no Programa de Aquisição de Alimentos, liberando verbas para a compra de alimentos de agricultores familiares, com a finalidade de formar estoques e distribuir a populações carentes. Concomitantemente, é dever das escolas, aliadas à sociedade organizada, estimular o debate sobre o problema, mediante a palestras, programas pedagógicos e produções culturais que desnaturalizem o desperdício de alimentos nas residências brasileiras.