Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 28/04/2020
Na obra cinematográfica “O Poço”, uma prisão vertical é proposta, na qual os detentos das partes superiores decidem quantos alimentos irão para os níveis inferiores e , assim, suas vidas ficam à mercê dessas escolhas. Não distante da ficção, tal situação ocorre por todo o mundo, cuja produção de alimentos é suficiente para seus residentes e mesmo assim, muitos encontram-se em situação de subnutrição por essa má distribuição. Nesse sentido, a concentração desigual de recursos aliada a falta de condições sanitárias nas parcelas mais pobres da sociedade contribuem para o continuísmo dessa problemática.
Sob tal perspectiva é necessário refletir, primeiramente, sobre como os alimentos são mal distribuídos na sociedade. Esse fato se ilustra muito bem no contexto da Revolução Russa, que embora esteja no passado, equipara-se com o presente, uma vez que assim como a pequena parcela de nobres mantinham-se com plena disposição de comida, a grande massa da população passava fome. Analogamente a isso, essa é a realidade de muitos que pela concentração de tais recursos, sofrem com problemas de subnutrição e morre por inanição, prova disso está no Jornal da Usp, cujos dados apontam tais fatores como a causa mortis de 795 milhões de indivíduos. Portanto, evidencia-se a similaridade com o passado e a necessidade de sua superação.
Ademais, é relevante, também, notar que além da necessidade de escoamento dos alimentos entre as pessoas, a falta de condições sanitárias apresenta-se como outro entrave nessa situação. Segundo a pesquisadora universitária, Ana Lydia Sawaya, a insalubridade de moradia de uma parte dos brasileiros impacta diretamente na qualidade de sua alimentação e nutrição, devido ao número de infecções que esse contato inseguro propicia. Dessa forma, isso denuncia o descaso governamental de prover condições ideais para a manutenção sanitária e, ao negligenciar essa carência, põe em risco a vida de muitas pessoas por trazer outra dificuldade para a possibilidade de uma nutrição efetiva. Logo, torna-se nítida a relevância do combate dessa problemática para o resguardo da vida de muitos.
Em suma, a partir dos argumentos citados, urge a busca por mudanças. Para isso, os Estados, por meio de pressões advindas de ONGs como a “Banco de alimentos”, devem se unir a fim de elaborar um fundo monetário com o fito de, com o capital arrecadado, solucionar questões de extrema fome e garantir reformas nas condições insalubres por todo o mundo, visto que tal problemática é universal e, por isso, todos países devem combatê-la. Assim, a prisão vertical poderá tornar-se horizontal e seus recursos poderão ser igualitariamente acessados ao garantir qualidade de vida para todos.