Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 07/05/2020

No livro ‘‘O Quinze’’ de Rachel de Queiroz, é retratada, por meio da realidade de inúmeros retirantes, uma situação de fome e de miséria causada pela grande seca que assolava a região naquela época. De forma análoga, hodiernamente, um parcela considerável da população mundial sofre com a problemática da subnutrição relacionada à má distribuição de alimentos. Nesse contexto, a questão perpetua-se pela concentração de riquezas e estimula a preponderância de consequências nos mais variados setores sociais.

Em primeiro plano, é importante destacar que a subalimentação possui vínculos com a qualidade de acesso nutricional restrita a determinadas regiões. Isso ocorre porque, segundo dados copilados pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir as necessidades dos atuais 7,3 bilhões de habitantes, isto é, o problema não é a falta deles. Nessa lógica, a pobreza é um fator determinante para a persistência da fome e dos reflexos ocasionados pela referida, como é o caso da nutrição inadequada e/ou insuficiente. Logo, é inaceitável que, mesmo depois de mais de um século, a fome continue assolando parcelas sociais específicas.

Em segunda análise, é válido mencionar os efeitos da situação supracitada. De acordo com projeções geográficas, a pirâmide etária, quando composta pelo elevado índice de população economicamente ativa (PEA), é um fator determinante para o desenvolvimento do ‘‘boom econômico’’(crescimento rápido da economia de um país). Sob essa perspectiva, à proporção que a má distribuição de alimentos é uma realidade preponderante, consequências de nível financeiro são destacadas, uma vez que quanto menor o número de crianças sobreviventes à subalimentação, mais reduzida será, futuramente, a participação destas na PEA, por exemplo. Dessa forma, essa é uma situação cuja resolução tem que ser imediata.

Portanto, é mister a realização de uma medida efetiva que atenue o impasse. Assim o Poder Público deve mitigar a concentração de riquezas e, consequentemente, da alimentação, por meio de políticas públicas de promoção da segurança alimentar, estas direcionadas, principalmente,às regiões com os maiores índices de subnutrição, como as localidades periféricas, a fim de combater a problemática abordada e os possíveis reflexos instigados, como no caso da supracitada decorrência socioeconômica. Ação que, tomada no presente, contribuirá para que o cenário proposto por Rachel seja meramente um momento histórico superado.