Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 01/05/2020
O filme espanhol ‘‘O poço’’ retrata o egoísmo humano por meio de uma metáfora: na plataforma, os humanos que estão no topo do poço comem toda a comida que quiserem, sem se preocuparem com os que estão em baixo. De maneira análoga, percebe-se o caráter egocêntrico da sociedade na questão da distribuição de alimentos, já que enquanto milhares de pessoas no mundo inteiro sofrem com problemas relacionados a obesidade, outras centenas morrem todos os dias devido a subnutrição. Dessa maneira, medidas são necessárias para conter e modificar o atual cenário.
Em primeiro lugar, percebe-se como causa latente do problema a desigualdade social. O filme “O poço” retrata essa má distribuição de recursos, haja vista que assim como no filme, em que a comida é distribuída de cima para baixo, sendo escassa ou até inexistente nos andares de baixo, o mesmo acontece na sociedade contemporânea. Além disso, a alegoria da obra espanhola denuncia a disparidade social que está instaurada em países como o Brasil e gera problemas como o da subnutrição. Uma vez que, enquanto muitos têm fartura de alimentos à sua disposição, outros tantos não tem sequer o que comer, é o que mostra a ONU, segundo a qual a fome atinge mais de 820 milhões de pessoas no mundo. Assim, medidas que visem a mudança desse quadro são imprescindíveis.
Outro fator que ilustra esse cenário é a Teoria Malthusiana, proposta há mais de 200 anos, que defendia que a população cresceria mais rápido do que a produção de alimentos. Entretanto, sua teoria foi contestada, já que Malthus não contou com o progresso científico na agro-pecuária, a inserção da mulher no mercado de trabalho, a melhora na qualidade de vida e o uso de anticoncepcionais. Nesse sentido, principalmente com o incremento científico no campo, a chamada Revolução Verde, a produção de alimentos produzida é suficiente para alimentar toda a humanidade. Porém, o problema não é a quantidade de alimentos disponíveis, mas sim, a má distribuição desses alimentos para a população.
Destarte, é necessário que os países detentores de tecnologia agrícola desenvolvida, atuem nos países mais pobres na transferência de conhecimentos, a fim de que a agricultura desses países se desenvolvam mais rápido, tornando-se mais acessível e barateando, também, os preços dos produtos. Além disso, o Governo brasileiro deve, além de investir nas áreas agricultáveis, incentivar a agricultura orgânica em pequena escala às famílias mais pobres, por meio de uma assistência social. Tudo isso com a finalidade de que a má distribuição de alimentos se torne uma mazela passada na história da humanidade.