Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 10/05/2020
“O importante não é viver, mas viver bem”. Esse pensamento atribuído ao filósofo grego Platão permanece bastante atual por evidenciar a importância de prezar pela qualidade de vida da população. Acerca dessa lógica, no mundo contemporâneo, um dos fatores mais nocivos ao bem-estar humano é a subnutrição, problema que afeta milhares de pessoas, notadamente nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Esse panorama tem uma intrínseca relação com a má distribuição de alimentos em face da escassa oferta desses produtos às populações rurais e do deficiente sistema de armazenamento alimentício de algumas empresas.
Sob tal óptica, percebe-se que, devido à oferta de alimentos ser direcionada prioritariamente aos grandes centros urbanos e ter preços elevados, o acesso dos indivíduos de baixa renda e residentes das áreas rurais a esses recursos torna-se muito limitado. Nessa perspectiva, enquanto os moradores urbanos têm amplas opções de produtos alimentícios para consumir, permitindo-os ter uma alimentação diversa e nutritiva, algumas populações interioranas carentes, por dependerem das plantações autônomas de subsistências, podem ter uma dieta restrita e insuficiente em fatores nutricionais, o que pode levar ao quadro de subnutrição.
Ademais, muitos alimentos são perdidos por causa da deficiência de alguns sistemas de armazenamento alimentício, o que ocasiona prejuízos econômicos para os compradores desses produtos. De fato, a má refrigeração e a demora para transportar, às vezes de um continente para outro, faz milhares de frutas, legumes e carnes, a título de exemplificação, estragarem antes de chegarem nas prateleiras de mercados e feiras. Desse modo, o desperdício é imenso e deletério, tanto em âmbito econômico quanto social, visto que se estivessem em boas condições, esses alimentos poderiam tirar vários indivíduos da condição de subnutrição.
Portanto, para fazer jus ao pensamento atribuído a Platão e, assim, melhorar a qualidade de vida do povo, faz-se mister que o Governo Federal dinamize a distribuição de alimentos para as populações carentes no interior do Brasil, por meio de uma decreto que torne obrigatório o direcionamento de parte a produção alimentícia às áreas rurais e que os preços desses recursos sejam condizentes com a realidade socioeconômica desses indivíduos, com o intuito de minorar a fome e a subnutrição no interior do País. Outrossim, o setor empresariado deve aumentar os investimentos nos sistemas de armazenamento dos alimentos, por meio de um replanejamento orçamentário dos lucros, destinando capital para melhorar a refrigeração e o transporte dos produtos, com o fito de evitar a perda de alimentos.