Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 07/06/2020
Na sociedade brasileira, o processo de subnutrição torna-se consequência da má distribuição alimentícia. A dinâmica equitativa está relacionada com a compreensão da subalimentação ocasionada por um processo cultural iniciado durante o Brasil Colônia e etiologias políticas que persistem no país, como desfecho do colonialismo nacional.
Efetivamente, a concentração histórica latifundiária monocultora de terras da alta classe brasileira é proveniente do período de distribuição das capitanias hereditárias entre os séculos XVI e XIX. Dessa maneira, ocorreu a criação de commodities destinadas à pecuária e exportação de produtos, incluindo alimentos, para o exterior ao invés do mercado interno; ignorando as necessidades básicas da população. Por conseguinte, a necessidade alimentícia interna tornou-se crescente enquanto a demanda de alimentos exportados aumentava. Outrossim, no século XX, a Revolução Verde possibilitou o uso de agrotóxicos e maquinários nas lavouras. Assim, ocorreu a queda nutricional dos alimentos e a demissão em massa de trabalhadores, possibilitando a diminuição do poder de compra da classe proletária e, consequentemente, a multiplicação da subnutrição brasileira.
Ademais, na obra “Homo Deus”, de Yuval Harari, o autor aborda um fenômeno denominado “fome política”, sendo consequência de políticas ineficazes, visto que desenvolvimentos tecnológicos e econômicos criaram uma rede de segurança capaz de separar a humanidade da linha biológica da fome e subnutrição. Relacionando a temática abordada pelo autor com o cotidiano brasileiro, observa-se que há a carência de uma gestão adequada capaz de contornar a ideologia de Harari. Em contrapartida, foi criada uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício — o Mesa Brasil SESC. O projeto de segurança alimentar redistribui a comida para o consumo, funcionando como uma alternativa que busca sobras e entrega onde falta, atuando para diminuir o abismo da desigualdade social no país.
Portanto, a fim de contornar a atualidade da subalimentação, cabe ao Ministério da Cidadania incentivar a fundação de grupos operativos estaduais com o propósito de educar a população para a produção de hortas caseiras — evitando a ingestão de agrotóxicos — mediante palestras educativas organizadas por empresas e financiadas pelo poder público. Além disso, urge à cooperação entre o Ministério da Economia e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento otimizar a rede nacional de segurança alimentar por intermédio de um replanejamento de estratégia e investimento — de modo a ser capaz de destinar mais recursos, por exemplo, a parceria entre grandes agricultores locais. Logo, será mais fácil contornar os efeitos da má disposição de alimentos.