Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 28/07/2020

Na obra Geografia da Fome, do pensador e ativista Josué de Castro, são analisadas as características naturais, os processos históricos e as transformações políticas de diferentes regiões, como forma de compreender a subnutrição. Tal análise, conclui que a questão da fome não se tratava do quantitativo de alimentos ou do número de habitantes, mas sim da má distribuição das riquezas, concentradas cada vez mais nas mãos de menos pessoas. Nessa perspectiva, a fim de compreender e atenuar essa problemática, cabe analisar a desigualdade social que predomina em determinadas regiões do Brasil, bem como a negligência governamental que corrobora para essa problemática.

Primordialmente, nota-se que apesar do Brasil ter saído do Mapa da Fome em 2014, as regiões Norte e Nordeste ainda concentram a população que não se alimenta direito e até passa fome. Prova disso, são dados atuais do suplemento Segurança Alimentar, segundo o documento todos os estados do Norte e do Nordeste estavam abaixo da média nacional de 69,8% em relação a alimentação adequada. Assim, percebe-se que apesar do Brasil ser um país com uma agricultura de exportação bastante desenvolvida, ainda há grande desigualdade social oriunda da má distribuição de renda na sociedade somada, ainda, a outros agravantes, tais como a seca, as inundações e os desastres naturais.

Observa-se, ainda que o Brasil possui um grande desenvolvimento rural e agrário, entretanto, o problema não é a falta de alimentos, mas sim, a má administração governamental e a negligência do Poder Executivo que não empreendem políticas capazes de gerar empregos e renda, uma vez que a pobreza é o principal causador da fome. Ainda, o deficiente planejamento agrícola e a injusta estrutura fundiária brasileira, marcada pela concentração da propriedade das terras nas mãos de poucos ajudam a manter essa desigualdade social. Assim, faz-se notória a máxima do pensador João Carlos, de que o problema da desigualdade não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso nas mãos de poucos.

Portanto, o combate à fome e pobreza implica necessariamente em um amplo e sustentável processo de distribuição de riquezas. Cabe ao Estado, gerar, por meio de verbas governamentais, políticas de emprego e renda, para assim recuperar e preservar o poder aquisitivo dos trabalhadores, principalmente do salário mínimo - renda mínima para sobreviver - Urge, também, a aceleração do processo de reforma agrária, com assentamento de todas as famílias sem terra e a ampliação das políticas de apoio à agricultura familiar - créditos rurais de produção - como forma de ampliar a agricultura de subsistência para que cada pequeno produtor possa plantar e colher. Dessa maneira, a subnutrição e a má distribuição de alimentos diminuirá e a população terá o mínimo, pois conforme o sociólogo Herbert José de Souza, quem tem fome, tem pressa.