Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 24/05/2020

A Organização das Nações Unidas (ONU), assegura, por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o direito à vida digna e à alimentação, além de estabelecer metas com o fito de erradicar tanto a miséria quanto a subnutrição. No entanto, é indubitável que tal proposta, na prática, é deturpada, tendo em vista a disparidade socieconômica e seu impacto na má distribuição de alimentos. Esse cenário nefasto ocorre não só a partir do diminuto acesso à comida, mas também devido à excludente gestão produtiva. Perante isso, são necessárias ações comunitárias pelo acesso democrático aos recursos básicos.

Nesse sentido, é importante destacar que as assimetrias negligenciam a qualidade de vida de populações marginalizadas. Quanto a isso, o documentário brasileiro “Ilha das Flores” retrata a trajetória do resíduo orgânico até os grandes lixões, onde este ainda serve de alimento para populações carentes. Nessa perspectiva, é evidente que a subalimentação tramita a partir da desigualdade e é agravada pelas anomias sociais, uma vez que a escassa qualidade nutritiva  é um empecilho para o desenvolvimento físico, o que, consequentemente, cerceia a qualitativa cidadania. Assim, o descaso para com o controle suscita a má nutrição, já que, de acordo com a Agência de Alimentação e Agricultura da ONU (FAO), 30% dos produtos agrícolas são desperdiçados.

Ademais, é necessário ressaltar que, em meio a um cenário marcado pelo capitalismo, o contraditório progresso tecnológico fomenta a desigualdade. Isso, remete ao século XX, quando, após a Segunda Guerra Mundial, a Revolução Agrícola se apropriou da biotecnologia para compor o agronegócio, o qual promoveu a produtividade, mas não limitou a fome. Nesse viés, é inquestionável que a intervenção humana no cultivo é baseada na supervalorização do lucro em detrimento de valores necessários para a qualidade de vida, ou seja, é uma entrave na igualdade inerente ao cumprimento de direitos básicos como advém da difusão coletiva da alimentação.

Destarte, ante as anomias sociais e a exclusão na distribuição de produtos agrícolas, urgem medidas em prol da democratização de bens e, por conseguinte, da efetivação das garantias legislativas fundamentais para a cidadania. Para isso, é fulcral que a ONU, aliada à FAO, estimule a simetria entre os países e o fim da má alimentação, o que deve ocorrer por intermédio de acordos internacionais pelo controle da produção excedente de empresas, além da conscientização pública quanto ao consumo, o qual deve ser administrado e distribuído com base nas necessidades de cada país, com o objetivo de mitigar a subnutrição. Logo, paulatinamente, alcançar-se-á a dignidade e a cidadania como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos.