Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 02/06/2020
’ O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles ‘. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora a subnutrição e a má distribuição de alimentos no Brasil, uma vez que, por mais que seja escandalosa essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da precária divisão da renda econômica quanto do silenciamento da população .
Deve-se analisar, primeiramente, que a periodização inadequada da economia brasileira é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que a subnutrição é uma consequência da escassez de alimentos, que ocorrem, muitas das vezes, por conta da mal distribuição de renda no Brasil, desfavorecendo, dessa maneira, as camadas menos abastadas. Diante disso, o PNAD, Política Nacional por Amostra de Domicílios, em 2018, levantou que cerca de 10% da população concentrava 43% dos rendimentos do país. Consequentemente, tal panorama dificulta a exclusão da subnutrição no âmbito brasileiro, acarretando sérios impasses na saúde desses indivíduos. Logo, é substancial a mudança desse cenário.
É vital evidenciar, ainda, que a má distribuição de alimentos no Brasil encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição, que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que o empecilho seja solucionado, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a sociedade se mantém passiva e calada diante tal problematização. O filme televisivo O Poço, por exemplo, mostra, como as refeições são divididas inadequadamente nos níveis mais profundos, mimetizando, também o silenciamento dos indivíduos que ao poço pertence. Atrelado a isso, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, relatou em 2014, que 58 milhões de brasileiros não tinham alimentos suficientes. Nessa lógica, é crucial solucionar tal conjuntura.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se, o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com a secretaria especial do Ministério social, por meio de ações: fiscalização mais rigorosa diante a distribuição de renda no pais, projetos de alcances alimentícios nas camadas mais pobres, promover uma periodização mais adequada desses recursos sociais, para que, de tal forma, a subnutrição e a má distribuição de alimentos no país, possam ser erradicadas do Brasil. Somente, assim, os escândalos representados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados .