Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 04/06/2020

O economista Thomas Malthus disse que a produção de alimentos cresceria em progressão aritmética, enquanto que a população em progressão geométrica. Entretanto, isso não aconteceu, pois, com o avanço da biotecnologia, sabe-se que há alimento suficiente para abastecer o mundo. Não obstante, encontra-se mal distribuído, ocasionando o fenômeno da subnutrição. Nesse sentido, percebe-se a configuração da fome na realidade brasileira, que persiste influenciada pela negligência do Estado, bem como pela desigualdade social.

A princípio, o artigo 6° da Constituição determina a alimentação como um direito social, todavia, esse conceito se encontra deturpado, tendo em vista o panorama de miséria alimentar que descortina no Brasil. Nesse contexto, é nítida a negligência do Estado na distribuição de alimentos às famílias marginalizadas, logo, as taxas de subnutrição tendem a crescer no país. Sob essa ótica, é indubitável a modificação desse comportamento, mediante o aproveitamento da biotecnologia, com o objetivo de aumentar a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, distribuí-los uniformemente entre os grupos carentes. Dessa maneira, assegurar o direito constitucional à alimentação à todos.

Outrossim, o filme “O Poço” retrata uma plataforma com 333 andares, sendo duas pessoas em cada, onde o alimento é distribuído verticalmente de cima para baixo, com isso, no caminho a comida é consumida pelos estratos mais altos e, assim, não sobra para quem está embaixo. Em analogia, esse episódio demonstra o fenômeno da má distribuição dos alimentos, em que classes superiores são favorecidas em detrimento das inferiores, percebendo-se que a desigualdade social é de uma das causas principais da fome. Por causa disso, é imprescindível a ampliação das oportunidades, por exemplo, de crescimento profissional aos grupos marginalizados, com o fito de diminuir essa discrepância social, a qual é refletida na subnutrição. Desse modo, desconstruir o padrão vertical de estratificação e, por conseguinte, construir um modelo horizontal, no qual os produtos são melhores distribuídos no meio intersocial.

Destarte, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a criação de uma campanha chamada “Luta contra a Fome”, em que serão oferecidas técnicas de biotecnologia aos agricultores, com isso, aumentando a produção. Em troca disso, o Estado deverá receber uma parcela do produto, o qual deve ser distribuído entre a população subnutrida do país, com o intuito de atender ao Artigo 6° e, inclusive, distribuir melhor os alimentos. Além disso, o Ministério da Educação, precisa investir em cursos profissionalizantes e, ao mesmo tempo, realizar parcerias com empresas privadas, a fim de oferecer melhores oportunidades profissionais àqueles que são marginalizados, reduzindo a fome.