Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 22/06/2020

A obra “O cortiço”, do escritor Aluísio Azevedo, apresenta como eram as moradias de uma grande parcela da população carioca no final do século XXI, onde haviam o predomínio de cortiços, com muitos moradores e com poucas condições sanitárias e alimentares. De maneira análoga à ficção, há hodiernamente a perpetuação desses problemas sociais, resultado também da má distribuição de alimentos ocasionando a subnutrição. As principais causas desse mal que atinge a população são: a precariedade das pesquisas e programas sociais do Governo e a cegueira contemporânea acerca das necessidades da coletividade.

A priori, o Brasil, mesmo sendo um país essencialmente agrícola, muitas pessoas encontram-se na linha da pobreza enfrentando a subnutrição em razão da carência de políticas públicas. Nesse viés, a extinção do CONSEA ( Conselho Nacional de Segurança Alimentar) e de outros programas relacionados à nutrição agravaram o quadro brasileiro com a redução de 82% do orçamento destinado à segurança alimentar entre os anos 2014 e 2019. Desse modo, com a desnutrição,muitas pessoas têm suas habilidades intelectuais e físicas comprometidas o que impede muitas vezes o bom desempenho de habilidades educacionais e laborais, comprometendo, dessa forma a economia do país.

Somado a isso, uma parte da sociedade encontra-se comprometida apenas com as necessidades individuais e deixam de lado os problemas da coletividade. Sob essa óptica, a frase " muitos têm pouco e poucos têm muito" retrata a realidade brasileira de como as desigualdades são acentuadas , pois poucos têm acesso à boa alimentação e muitos sofrem com a subnutrição. Nessa perspectiva, a obra “Banalidade do mal” da filosofa Hannah Arendt apresenta como alguns problemas sociais ocorrem de maneira tão acentuada que são vistos como normais pela sociedade. Dessa maneira, a desnutrição de uma parcela não é tratada com a relevância adequada, o que poderia ser mitigado com mais programas de filantropia e criação de mais ONG’s com a finalidade de compartilhar os recursos.

À luz dessas considerações, é possível ver a passividade governamental e social diante da subnutrição que é vivenciada por uma grande parcela da sociedade. Logo, é fulcral que o Governo Federal por meio da atuação do Ministério do Desenvolvimento promova a criação de um órgão que irá atuar individualmente em cada Estado para a criação de um projeto voltado para a segurança alimentar com a criação de hortas comunitárias em terrenos do governo em que toda a comunidade será instruída sobre as técnicas de plantação e colheita e deverão contribuir com a sua força de trabalho juntamente com a colaboração e financiamento estatais, com finalidade de melhor distribuir os alimentos e garantir a segurança alimentar nas comunidades e assim superar a realidade apresentada em “O cortiço”.