Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 07/07/2020

Carolina Maria de Jesus relatou em diários sua vida na favela do Canindé. Em muitos momentos a autora abordava a fome que sentia, a falta de alimentos para os filhos e momentos em que, sem comida e sem nenhum dinheiro, procurava restos no lixo. Mesmo 60 anos após a publicação do livro de Carolina, a situação perdura:  795 milhões de indivíduos com alimentação precária, segundo um levantamento  da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. O insustentável quadro de subnutrição, gerada pela carência de nutrientes, é agravado tanto pela falta de renda, quanto pela má distribuição dos alimentos, interferindo na vida de muitos brasileiros.

Hodiernamente a produção de alimentos é sulficiente para suprir as necessidades de todos, não obstante, 1 em cada 9 indivíduos é subnutrido. A proporção entre a produção de alimentos e sua falta para muitas famílias se deve em grande parte à má distribuição: grandes produtores preferem encaminhar seus produtos para grandes centros urbanos, já que contam com rede logística eficiente e barata, em relação à regiões periféricas. Com a dificuldade no transporte e armazenamento para atender à demanda das regiões afastadas, os produtos, além de serem escassos, são mais caros, se tornando um empecilho na vida das pessoas de baixa renda.

No livro “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, Engels disserta sobre a precaridade da alimentação para os proletários do século XIX, já que os baixos salários os impediam de ter uma nutrição adequada.Outrossim, a falta de dinheiro e os altos preços dos produtos impedem que muitas famílias se alimentem no século XXI. Dados da ONU constataram que a maior parte das pessoas com alimentação precária vive em regiões subdesenvolvidas, onde 12,5% da população é subnutrida.

Torna-se evidente, portanto, que a subnutrição precisa ser combatida. Dessarte, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio de projeto de lei, crie mecanismos para levar o excedente da produção agrícola às regiões carentes, além de melhorar o sistema logístico para atender melhor à demanda  das áreas mais afastadas. Somente dessa forma pessoas que ainda hoje vivem como Carolina Maria de Jesus poderão ter o mínimo necessário para viver.