Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 21/07/2020

O poema “O bicho”  do escritor modernista Manuel Bandeira relata , “Vi ontem um bicho, na imundice do pátio, catando comida entre os detritos.O bicho não era um cão, não era um gato, o bicho, meu Deus,era um homem”. Nesse sentido, percebe-se que apesar dos avanços proporcionados pelos recursos tecnológicos e industriais, sobretudo, na industria alimentícia, uma ampla parcela da humanidade ainda vive em condições que vão de encontro à dignidade humana. Assim, a má distribuição alimentar e o desperdício acentuam o problema da fome, fazendo-se necessária a intervenção das entidades governamentais.

Nesse contexto, é essencial evidenciar que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 13 bilhões de brasileiros são vítimas da fome, situação que revela uma forte contradição, tendo em vista os altos índices de exportações de alimentos pelo País. Sob esse viés, é perceptível que  a fome no Brasil não ocorre em decorrência da falta de alimentos, mas sim em decorrência da sua má distribuição, a qual envolve origens ainda mais profundas, como a desigualdade social. A título de ilustração, é assídua a presença de moradores de ruas a procura de restos alimentares, nos grandes centros urbanos, mesmo nas proximidades de renomados restaurantes e redes de “fast-foods”, realidade que confirma a falta de recursos orçamentários e necessários a manutenção da integridade alimentar. Dessa forma, fatores, como a vulnerabilidade socioeconômica e a concentração de renda entre uma minoria social, provocam realidades contrastantes que marcam extremos, respectivamente, entre a subnutrição e a obesidade.

Em consonância a isso, é imprescindível salientar que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirma que 70 mil toneladas de alimentos são perdidas pela falta de compromisso do consumidor , seja devido à compra em excesso e à falta de atenção às datas de validade, seja devido o mal condicionamento. Além disso, a carência de incentivos tecnológicos que possam mitigar o amadurecimento e a perda de nutrientes no processo de armazenamento e transporte acentuam o desperdício e, consequentemente, contribui para a crescente  insegurança alimentar.

À luz dessas considerações, percebe-se a imprescindibilidade de combate a essa intempérie, tendo em vista os prejuízos para o desenvolvimento da Nação. Para isso, cabe ao Ministério da Agricultura, em sinergia com o Ministério da Economia, promover políticas, por intermédio do fomento à tecnologia na produção e armazenamento, ao introduzir a engenharia genética e por meio de projetos de reaproveitamento alimentar e equilíbrio no consumo, com o fito de atenuar a fome.Assim, essa realidade ficará apenas na literatura de Manuel Bandeira.