Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 03/08/2020
O filósofo inglês Thomas More, na sua obra Utopia, descreve uma sociedade perfeita, ajustada pela inexistência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade, é o oposto do que o autor idealiza, visto que a subnutrição e a má distribuição de alimentos apresenta obstáculos que dificultam a concretização de suas ideias. Esse cenário adverso é fruto tanto da falta de investimentos por parte do Estado, quanto por fatores sociais.
A princípio, é crucial pontuar que os aspectos governamentais estão entre as causas do problema. Segundo o filósofo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade de forma íntegra, de modo que o equilíbrio seja alcançado. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essa harmonia, uma vez que a quantidade insuficiente de alimentos e sua má qualidade do ponto de vista nutricional, aliado a condições precárias de moradia, contribui para o aumento do índice de subnutrição principalmente entre as crianças brasileiras abaixo dos cinco anos de idade. Destarte, nesse âmbito, faz-se necessária uma remodelação da postura estatal.
Outrossim, destacam-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um dos fatores que contribuem para a fome é o desperdício de alimentos tanto nos mercados, quanto entre os próprios consumidores. Segundo a FAO, no Brasil, cerca de 2.800 carretas de alimentos são desperdiçadas por ano. Tudo isso delonga a resolução do problema, contribuindo para sua perpetuação.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir esse problema da sociedade brasileira. Dessa forma, o Tribunal de Contas da União deve direcionar recursos que, por intermédio dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Regional, possam ser usados para aumentar a produção de alimentos de forma sustentável, e também resolver o problema de saneamento das comunidades mais pobres para que possamos ter melhores condições de enfrentar esse problema de frente. Tudo isso através da criação de políticas públicas com o objetivo de promover o bem-estar social. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, o Ministério da Educação deve incentivar, nas escolas, atividades e projetos como ciclos de palestras e feiras de conhecimento que envolvam alunos e sociedade, de modo a abordar sobre tal problemática. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais próxima da Utopia idealizada por More.