Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 09/08/2020

No período colonial brasileiro, os escravos indígenas e africanos sobreviviam sob condições de alta insalubridade e com pouco alimento, tais circunstâncias eram preponderantes na elevada taxa de mortos. Fora da historiografia, a realidade escravocrata está extinta, porém a subnutrição ainda é presente na sociedade. Pode-se dizer, então, que não só a má distribuição alimentícia, mas também as diretrizes impostas pela contemporaneidade são os fatores responsáveis pelo cenário descrito.

A priori, é nítido que a atualidade passa por um processo de seleção de camadas, ou seja, as menos favorecidas tendem a sofrer as maiores consequências. Nesse sentido, os países subdesenvolvidos são afetados diretamente, logo, o processo de distribuição alimentar deve apresentar alto grau de eficiência. Entretanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30% dos produtos agrícolas mundiais são perdidos entre o campo e o ponto de venda do produto, portanto, nota-se uma inconsistência no processo.

Ademais, é incontrovertível que o modo de produção atual, o capitalismo, é um fator determinante nos dias atuais. Prova disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, 13,5 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza e, consequentemente, desnutrição, esses números são melhores representados nas regiões Norte e Nordeste do país. Desse modo, é evidente que a realidade capitalista do século XXI influencia constantemente nas disparidades sociais, em especial, as alimentícias.

Dado o exposto, infere-se que reformulações conjunturais são necessárias acerca do setor alimentício nacional. Sendo assim, cabe ao Poder Legislativo, instância máxima na criação de leis isonômicas, qualificar a logística na distribuição alimentar e instaurar projetos comunitários regionais. Esse deve ser feito por meio de políticas normativas públicas, principalmente, nas áreas mais carentes, as quais devem impor a diminuição dos marcadores sociais de diferença. Aquela deve ser executada por intermédio de profissionais da área de transporte, de modo geral, que conheçam o fundamento da sua atividade e a importância dessa. Assim, o Brasil irá, definitivamente, de encontro aos parâmetros implantados no período colonial.