Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 14/08/2020

Na obra “Memórias do Cárcere”, o autor Graciliano Ramos, preso durante o regime do Estado Novo, relata os maus tratos, as péssimas condições de higiene e a falta de humanidade vivenciadas na rotina carcerária. Hoje, ainda que não vivamos mais em um período opressor, o sistema prisional brasileiro continua sendo visto como um símbolo de tortura. Desse modo, rever a situação social a qual o penitenciário está submetido é indispensável para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.

A falta de investimentos do governo na construção de novos presídios gera superlotação, problema que impede que os presos tenham uma vida digna e os fazem brigar por necessidades básicas, como um lugar para dormir. Dessa forma, as celas cheias aumentam as tensões, elevando as tentativas de fuga e a possibilidade de rebeliões. Além disso, a pouca quantidade de juízes e a elevada burocracia do sistema judiciário atrasam os julgamentos e elevam o tempo de detenção para os réus, o que também contribui para a superlotação carcerária.

É crucial tratar os apenados com o mínimo de dignidade. Não podemos trata-los com a mesma desumanidade responsável por priva-los do direito a liberdade. Já dizia Dostoeivski, “é possível julgar o grau de civilização de uma sociedade visitando suas prisões”, por tanto, manter os presos com o mínimo de dignidade é uma conquista como sociedade.

É primordial a abertura de novas vagas no sistema carcerário,sendo a única opção para resolver a situação de super lotação, e assim assegurar o mínimo de dignidade a essas pessoas. Além disso, oferecer capacitação técnica aos presos tem papel crucial na ressocialização e diminuição de reincidência dos ex apenados. O Governo Federal precisa entender que o combate a criminalidade não se dará animalizando criminosos,tão pouco terá resultado imediato, porém o único caminho a ser tomado é longo e tortuoso.