Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 24/08/2020
De acordo a Organização Mundial da Saúde a subnutrição é causa indireta de cerca de 30% das mortes de crianças no mundo. No entanto a produção mundial é suficiente para abastecer toda população mundial, entretanto, o acesso ao alimento é restrito de acordo com o poder aquisitivo. Regiões e/ou países com graves problemas de subnutrição, no geral, possuem uma população de baixa renda e de baixa escolaridade, esses problemas são entrelaçados, um contribui para a existência do outro. A subnutrição está diretamente ligada a má distribuição de alimentos, causada pelo desemprego, que por sua vez é causado pela baixa escolaridade, que tem como uma de suas causas a subnutrição da criança, que tem sua capacidade de aprendizado prejudicada.
De forma geral a subnutrição é um sintoma de uma sociedade desigual, onde, de acordo com o IBGE, 1/4 da população Brasileira vive abaixo da linha da pobreza, são aproximadamente 55 milhões de pessoas que vivem com renda inferior a R$406,00 por mês, para serem gastos com moradia, produtos de higiene pessoal, vestuário e alimentação. Este resultado é explicado pelo alto índice de desemprego, somado com a má qualidade, além do acesso precário, do ensino básico público no Brasil.
A população rural no Brasil divide, de certa forma, as mesmas dificuldades enfrentadas pela população urbana. No entanto, na zona rural, as oportunidades são mais escassas, o emprego está atrelado diretamente ao trabalho na terra, e essa é uma questão de grande problematização no Brasil, uma vez que a administração fundiária no país é precária e ineficiente, exemplificada pela ação dos grileiros. Além disso, a precariedade no acesso a educação básica e técnica, mesmo para aqueles que tem acesso a terra, impede o desenvolvimento da produção, uma vez que, em geral, pela falta de conhecimento, os custo de produção se igualam, ou até superam, o lucro obtido na venda do produto.
A Constituição Federal de 1988 define, em seu artigo 6, como um direito social a alimentação, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, portanto é dever do estado garantir o acesso a alimentação em qualidade e quantidade suficiente à saúde humana. Para tanto é de suma importância que o Estado adote políticas públicas que tenham como foco a diminuição do índice de desemprego e a ampliação do acesso a educação básica de qualidade, além de criar e ampliar cursos de formação técnica gratuitos. Ademais, com foco na população rural, é importante o papel do Estado na regulamentação da propriedade da terra, o que permitira aos produtores ter acesso a incentivos já existentes do governo, assim como a linhas de crédito especificas e a programas de assistência técnica, que permitirão ao produtor maximizar o lucro e torna o produto competitivo no mercado.