Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 29/08/2020
O livro " Vidas Secas" ,de Graciliano Ramos, retrata a vida de uma família de sertanejos que passa por adversidades impostas pela fome. Nesse viés, a situação da atual população não se difere do contexto abordado na obra, visto que a falta de acesso à alimentação atrelada à subnutrição fazem parte da realidade brasileira. Nesse sentido, é notório que a defasagem democrática nutritiva atua como catalisador no surgimento dessa problemática. Além disso, o desperdício de alimentos é outro fator que agrava tal cenário de precariedade.
A priori, é lícito analisar que mesmo com a produção global de alimentos sendo suficiente para suprir a demanda da população, ainda existe uma séria deficiência na distribuição de recursos alimentícios. Partindo desse pressuposto, a Constituição Federal prevê o direito humano à alimentação adequada. No entanto, diante do cenário de subnutrição, é possível visualizar o distanciamento da assertiva proposta, posto que a oferta de comida é dirigida aos centros urbanos, no quais há mais indivíduos com bom poder aquisitivo e, dessa maneira, a camada mais pobre e marginalizada que possui recurso financeiro reduzido, é limitada da compra de alimentos para consumo .Portanto, infere-se a importância de uma atuação mais viável dos responsáveis para regredir o avanço da taxa de desnutrição.
Em segunda instância, vale ressaltar, ainda, que o desperdício de comida é mais uma barreira que dificulta o progresso do país no que tange a redução do número de subalimentação. Nesse perspectiva, o desproveito de alimentos no Brasil acontece, muitas vezes, nos setores de distribuição, uma vez que que esses produtos necessitam cumprir especificações estéticas, e quando não estão adequadas para utilização, são mal aproveitados e destinados ao lixo. Ademais, o processo também pode ocorrer nas mãos do consumidor final, quando a comida não é totalmente consumida, o que gera assim “restos” que são jogados fora. Em suma, dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura( FAO), apontam que um terço de todos os alimentos produzidos são descartados.
Em síntese, a observação crítica dos fatos citados reflete a necessidade de concretizar atitudes para atenuar esse dilema. A princípio, cabe ao Ministério da cidadania, responsável por assuntos como acesso à cultura e questões sociais, em parceria com o Governo Federal, elaborar medidas que foquem nos setores marginalizados, por meio da disponibilidade de cestas básicas e vale-alimentação, com o intuito de democratizar o acesso à alimentação à população carente e, assim, a compra e consumo desses gêneros deixaria de ser limitada. Outrossim, é válido que os Governos Estaduais promovam a criação de centros de coletas de insumos alimentícios que seriam desperdiçados, e recolha para efetivar doações. Com isso, o direito previsto pela Constituição será preservado.