Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 01/09/2020
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a subnutrição ainda é causa indireta de cerca de 30% das mortes de crianças no mundo. Afetando o desenvolvimento físico e mental de milhões de crianças, a subalimentação também compromete seu desenvolvimento intelectual e profissional, diminuindo o número de cidadãos preparados para contribuir com o desenvolvimento de seus países. Subnutrição ou desnutrição são completamente diferentes de fome. A fome é causada por guerras ou secas, quando não há alimento; já a subnutrição é motivada da falta de nutrientes ou má qualidade dos alimentos.
A priori, é necessário considerar a existência de diferentes fatores que explicam essa situação. É possível pensar na questão histórica acerca dessa problemática, concentração latifundiária monocultora de terras da elite brasileira advinda do período de distribuição das capitanias hereditárias no Brasil Colônia, que produz, majoritariamente, commodities para a pecuária e exportação ao invés de alimentos para a população. Outrossim, a Revolução Verde do século XX deliberou o uso de agrotóxicos e de maquinário nas lavouras. Dessa forma, a qualidade nutricional dos alimentos diminuiu e trabalhadores foram demitidos, o que diminuiu o poder de compra das classes sociais mais baixas e aumentou a desnutrição.
Outrossim, o escoamento da produção de alimentos também encontra barreiras no Governo, o que colabora para perpetuação da subnutrição. Isso é notável pela falta de políticas públicas, relacionadas à alimentação, e relativa apatia do Congresso quanto a essa pauta, sem perspectiva para aprovação dos projetos em andamento, que visam melhorar a distribuição de alimentos, o que desrespeita compromissos assumidos pelo Brasil na Conferência Rio +20. Nesse prisma, a sociedade mantém essa apatia e não faz reivindicações, uma vez que naturalizou, conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, a ideia de que um país em desenvolvimento pressupõe subnutrição. O resultado disso é o crescimento da subnutrição.
Em suma, é imprescindível que o Ministério da Economia promova um projeto que amplie o poder de consumo das classes mais pobres, por meio da distribuição de renda dos impostos colhidos do agronegócio, para possibilitá-los comprar alimentos nutritivos por preços acessíveis. Ademais, compete também ao Ministério da Cidadania criar grupos operativos municipais no intuito de ensinar a população a produzir hortas caseiras, para que ingestão de agrotóxicos diminua. Dessa forma, a subnutrição diminuiria e a distribuição de alimentos seria mais ampla.