Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 07/09/2020
“São tão doentes aqueles que se saciam demais, como aqueles que passam fome.” – conforme o pensamento do poeta William Shakespeare, que muito bem se relaciona com a realidade social no Brasil, na qual há muito alimento na mesa de poucos e pouco alimento na mesa de muitos, evidenciando a má distribuição dos mantimentos na sociedade que, por conseguinte, acarreta em altos índices de fome e subnutrição. Logo, faz-se necessária uma reestruturação nas campanhas públicas no combate à fome e má nutrição das camadas sociais mais pobres e negligenciadas.
Em primeira análise, no ano de 1950, o mundo passou pela Revolução Verde, caracterizada por um conjunto de iniciativas tecnológicas que transformou as práticas agrícolas e aumentou a produção de alimentos. Nesse contexto, segundo dados da Universidade Federal de São Carlos, o Brasil foi o país que mais evoluiu nas práticas agrícolas, sendo capaz de alimentar mais de 250 milhões de pessoas. Analogamente a isso, o país possui mais de 7,5 milhões de pessoas em estado de fome e subnutrição. Tais fatos evidenciam que, apesar da grande e excessiva produção de alimentos, milhões de pessoas ainda sofrem com o problema da fome e a má nutrição devido à falta de uma distribuição adequada da produção agrícola. Desse modo, no Brasil, perpetua-se a cultura de muito produzir e pouco distribuir.
Outrossim, de acordo com a pesquisa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura, o Brasil desperdiça cerca de 26 milhões de toneladas de alimentos por ano. Evidencia-se, portanto, que o Brasil não somente comete negligência na distribuição correta dos alimentos, mas também prefigura entre os países que mais desperdiça no mundo, comprovando a falta de planejamento governamental e conscientização da população. A exemplo disso, segundo um estudo realizado pela USP, no comércio e no varejo, há um desperdício de 50% dos alimentos, enquanto nos domicílios 10% vai para o lixo. Dessa maneira, a falta de estrutura no comércio e informação nos lares fazem com que milhares de toneladas de alimentos sejam desperdiçados, enquanto milhões perecem com a fome e a debilidade nutricional.
Portanto, a fim de solucionar tais problemas, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em parceria com o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), deve promover e fomentar a ampliação da atuação dos programas Bolsa Família e Fome zero, por meio de isenções fiscais e empréstimos a juros zero a agricultores que fornecerem 10% de suas produções para apoiar esses programas sociais no combate a subnutrição no Brasil. Nesse sentido, o intuito de tais medidas é alcançar as camadas sociais mais negligenciadas e distribuir de maneira mais eficiente os alimentos produzidos para diminuir os índices de má nutrição, garantindo os direitos constitucionais a todos.