Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 19/12/2020
O economista britânico Thomas Malthus, durante o século XVIII, realizou estudos cujos resultados apontaram para um crescimento exponencial da população, em descompasso com o aumento gradual da produção de mantimentos no mundo. Já no século XXI, apesar de o estudioso não ter considerado as evoluções técnicas pelas quais a agricultura passaria no decorrer dos anos, o cenário de fome previsto por ele se concretiza em regiões carentes, que sofrem com a subnutrição advinda da má distribuição de alimentos, potencializada pela Revolução Verde e pelo ímpeto consumista pós-moderno.
Nesse contexto, a Terceira Revolução Técnico-Científica, marcada pelo uso intenso de tecnologia em diversos setores, ocasionou a Revolução Verde, que tinha como proposta o uso tecnológico na agricultura para aumentar a produção mundial de alimentos. No entanto, por exigir aparatos de alto investimento, o produto agrícola fruto dessa inovação entrou no mercado internacional com custo elevado, fazendo com que somente países economicamente fortes participassem do comércio mundial. Dessa forma, a distribuição dos produtos é heterogênea e não atinge regiões carentes, que ficam submetidas às condições naturais e à subnutrição.
Ademais, filósofos contemporâneos, como Zygmunt Bauman, atestam que o consumismo é a principal característica da sociedade pós-moderna. Essa concepção, por sua vez, é ilustrada na distopia “Jogos Vorazes”, na qual os distritos mais ricos de um país monopolizam e desperdiçam alimentos, enquanto há fome e luta pela sobrevivência nos segmentos mais pobres, constituindo uma crítica às situações reais de desigualdade entre os países. Dessa maneira, o consumo exagerado, por obedecer a lógica de mercado, acarreta a concentração da oferta alimentar em regiões privilegiadas e a insegurança nutricional nas áreas necessitadas.
Portanto, a subnutrição deriva dos impactos da tecnologia e do consumismo, que ocasionaram a distribuição desigual de alimentos. Para a reversão desse quadro, cabe à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em parceria com a Organização Mundial do Comércio, estipular cotas para a participação dos países importadores no mercado internacional, por meio de acordos renovados periodicamente a partir de um período de experimentação, de modo a diminuir a concentração de mercadorias em determinadas nações e frear o alto consumo, evitando, assim, o cenário previsto por Thomas Malthus.