Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 18/09/2020

No filme “O menino que descobriu o vento”, é retratado o cotidiano miserável de um garoto africano e as suas estratégias para contornar a fome e a sede. Hodiernamente, fora da ficção, embora após anos de avanços tecnológicos e sociais, a questão da subnutrição ainda é uma realidade no mundo, haja vista  sua relação com fatores geopolíticos e econômicos que intensifica a má distribuição de alimentos. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas com o intuito de combater essa grave e inercial problemática.

Em primeiro análise, criada nos Estados Unidos com a intenção de acabar com a fome mundial, a “Revolução Verde” angariou preceitos biológicos, químicos e geográficos para elevar a produção agrícola. Na atualidade, apesar de ter aumentado a eficiência e a rentabilidade do setor primário, essa conjuntura não cumpriu sua tese inicial, o que revela a subnutrição não como pela falta de alimentos, mas sim, pela sua irregular distribuição. Dessa maneira, seja pela instabilidade política, seja pela postura isolacionista, muitas nações, principalmente africanas, não dispõem de uma estrutura diplomática para negociar e fechar acordos com outras confederações, o que aumenta o número de cidadãos subnutridos e desrespeita os Direitos Humanos.

Ademais, Karl Marx, em sua obra literária “O capital”, destacou como as questões financeiras possuem influência, direta ou indireta, sobre as mazelas sociais. Diante dessa máxima, comprovando a tese supracitada e levando em consideração o progresso da Revolução Verde, nota-se que, nos dias de hoje, mesmo com uma produtividade cada vez maior, muitos indivíduos não possuem recursos para adquirir esses insumos. Sendo assim, essa situação deixa clara a participação da economia nesse empecilho, a medida que a quantidade de dinheiro é proporcional à sua qualidade de vida. Nessa ótica, a defasagem no que se refere à questão da concentração de renda reverbera as atuais complicações, em que discrepâncias são ampliadas e pessoas sofrem com anemias e hipovitaminoses.

Portanto, visando combater esse cenário que fere os Direitos Humanos e muitas Constituições Federais, é dever de organismos internacionais, como a ONU, elaborar projetos humanitários de combate à fome, mediante estudos e pesquisas que busquem atender, primordialmente, as nações mais necessitadas, para que, assim, com o auxílio do capital público e privado, essas nações sejam atendidas com insumos de forma periódica, o que minimizará os índices de subnutrição e contribuirá para a edificação de um mundo mais fraterno e igualitário.