Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 23/09/2020

No filme “O Poço”, original da Netflix, é retratada uma sociedade prisional verticalizada formada por estamentos, nos quais os prisioneiros que vivem na parte superior possuem mais acesso à comida do que os que vivem no setor inferior, que possuem sua alimentação restrita. Fora da ficção, essa má distribuição dos alimentos é observada na dinâmica brasileira, a qual -associada as desigualdades sociais- corrobora com a subnutrição.

A princípio, é importante destacar que o impasse está centrado na partilha das iguarias e não na sua produção. Segundo a Agência Brasil, o país possui produtividade suficiente para os mais de 200 milhões de habitantes, entretanto milhares ainda sofrem com a fome. Ou seja, apesar da larga escala, a comida não é repartida de forma abrangente e, então, concentra-se nas mãos daqueles que detém maior poder aquisitivo. Sendo assim, as disparidades socioeconômicas, além de causa para a falha na divisão da comida, é também uma consequência ainda mais incitada por essa realidade, estabelecendo-se um ciclo.

Em paralelo, devido a essa privação, uma parcela da população tem sua saúde diretamente afetada com a subnutrição, a qual compromete o sistema fisiológico, a saúde mental e pode levar a morte do indivíduo. Conforme dados da Organização Nacional das Nações Unidas (ONU), em média 5 milhões de pessoas se encontram desnutridas no Brasil. Tal dado revela que uma porcentagem dos brasileiros sofrem com a negligência governamental e seu direito básico à alimentação, previsto no artigo 6º da Constituição Federal.

Portanto, para que a subnutrição possa ser superada, é necessário que o Ministério da Cidadania, por meio de parcerias com o Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento, crie produções fixas destinadas a confecção de cestas básicas -com alimentos de valor nutricional indispensáveis-, que serão distribuídas mensalmente para alunos da rede pública de ensino. A fim de promover uma melhor distribuição e alcance à comida. Por fim, nossa estrutural social não se assemelhará ao Poço.