Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 03/10/2020
Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU em 2020, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil alimentou mais de um bilhão de pessoas no mundo nesse ano. Entretanto, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam um aumento da insegurança alimentar nos últimos anos em sua própria nação. Esses fatos demonstram a má distribuição de renda que provoca a precariedade na quantidade e diversidade de alimentos que uma parcela considerável da população consome.
Conforme o IBGE, a fome no país aumentou cerca de 43,7% nos últimos cinco anos, sendo os indivíduos de área rural os mais prejudicados. A atividade no campo está vinculada ao primeiro setor da economia, sendo assim, as mercadorias produzidas possuem baixo valor de mercado. Além disso, famílias com maior poder aquisitivo preferem comprar seus alimentos em grandes redes de supermercado.
Na obra “Meu pé de laranja lima”, do escritor José Mauro de Vasconcelos, o protagonista Zezé, em meio a pobreza, aprende a ler e a escrever por conta própria aos cinco anos. Fora da ficção, crianças e adolescentes que não possuem uma alimentação adequada não desenvolvem a parte física, motora e intelectual com êxito. Além disso, a falta de vitaminas compromete o sistema imunológico e torna pessoas de baixa renda mais suscetíveis a contraírem infecções.
Dado o exposto, cabe ao governo criar leis para que as redes de supermercado revendam frutas, verduras e legumes de pequenos agricultores. As escolas, por sua vez, devem fornecer refeições mais balanceadas e acompanhamento nutricional para as crianças e adolescentes, a fim de melhorar desempenho acadêmico dos jovens. Já o Ministério da Saúde deve criar Unidades Básicas de Saúde em regiões rurais e periféricas planos de combate à desnutrição, com suplementação e nutricionistas especializados.