Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 22/10/2020

Na década de 1960, após a Segunda Guerra Mundial, cientistas lançaram a Revolução Verde ,com a proposta principal de erradicar a fome do mundo por meio da tecnificação do campo,-insumos químicos, sementes transgênicas- ocasionando em um exponencial aumento da produtividade. Desse modo, na prática, a proposta principal não foi cumprida, mesmo com o crescimento da produção de alimentos, substancial parcela da população mundial permanece nos índices de subnutridos, alertando sobre a desigualdade perante a distribuição dos alimentos.

Em primeiro plano, destaca-se a má gestão e logística dos mantimentos, que acarreta diretamente na baixa ingestão calórico-proteica dos indivíduos menos favorecidos pela sociedade, em que torna-os mais suscetíveis a contrair doenças, devido ao sistema imunológico encontrar-se fragilizado perante ao pouco-ou nenhum- acesso a nutrientes. Ademais, tal descaso governamental não lhes proporciona mudança de vida, pois tais vítimas do sistema não possuem energia o suficiente para trabalhar ou estudar, reiterando a teoria do filósofo Karl Marx, de que o homem vive em constante guerra, denominada luta de classes, de modo que, quem possui maior acúmulo de capitais sempre se beneficiam em relação aos demais.

Outrossim, o uso da biotecnologia no meio rural favoreceu o ramo da agricultura, devido a criação de sementes geneticamente modificadas, em que expressam os genes específicos para se adaptarem ao meio, -trasngenia-, tornando as plantações mais fortes e resistentes contra pragas e intemperismos. Nesse viés, a informatização do campo contribuiu com o aumento da disponibilidade de alimento às massas e com a  diminuição dos preços, aumentando o consumo e também o desperdício e mau uso dos mesmos. Dito isso, tal degradante cenário apenas comprova o descaso com as mazelas da sociedade, que além dos problemas relacionados ao baixo nível energético para suprir  as necessidades vitais do organismo, lidam com o desperdício de quem os possui.

Portanto, é mister que o Estado tome  providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira  acerca do problema, urge que o Ministério da Saúde em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) criem programas e políticas públicas a fim de garantir o acesso e a distribuição de alimentos de forma homogenia, para mitigar o atual panorama de subnutrição e aumentar a expectativa de vida e difundir oportunidades a quem precisa. Somente assim será possível cumprir com o Artigo 3 da Constituição Federal, em que garante a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais, alcançando assim, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.