Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 29/10/2020

No filme espanhol “O Poço”, prisioneiros são confinados em uma torre vertical em que se alimentam dos restos de comida deixados pelo nível acima. Analogamente à realidade brasileira, as classes sociais mais privilegiadas têm o direito de comer o que desejam, ao contrário das mais pobres, que têm de se contentar com o que sobra ou até, ficam sem se alimentar. Nota-se, portanto, a contradição existente atualmente, onde têm se muita comida desperdiçada e parte considerável da população sem se alimentar adequadamente. Diante disso, vê-se também que a má distribuição de renda é também um fator decisivo para os índices de má alimentação e subnutrição de camadas mais pobres da sociedade.

A princípio, é de suma importância destacar que há uma clara contradição acerca dos índices alimentares e de fome no território brasileiro. Isso acontece pois, há uma grande quantidade de comida sendo desperdiçada, e ao mesmo tempo, muitas pessoas sem ter o que comer. Tal fato se comprova através da pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura em 2013, revelando que em apenas um ano, o Brasil desperdiçou 26,3 milhões de toneladas de alimentos, e, em paralelo a isso, 5,3 milhões de pessoas passam fome no país. Observa-se, então, a nítida falta de consciência nas pessoas que desperdiçam comida enquanto tantas outras nem possuem essa opção.

Outrossim, é imprescindível salientar que a má distribuição de renda colabora com os altos índices de fome. Tal perspectiva decorre do raciocínio de que sem poder monetário, as famílias não são capazes de prover alimentos para seu próprio sustento. A partir disso, observa-se que deve haver influência governamental no meio, em que o Estado deve garantir o abastecimento dessas famílias, como prevê o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 no trecho: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação […].” Logo, mostra-se fundamental a participação do governo brasileiro na luta contra a fome no que diz respeito à má distribuição de alimentos no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de solucionar tal problemática. Para que isso ocorra, é necessário que o Governo Federal e o Ministério da Agricultura, por meio de parcerias com as emissoras de televisão e meios de comunicação virtuais criem campanhas de conscientização para a população a respeito da quantidade exacerbada de alimentos desperdiçada anualmente e em paralelo a isso, crie programas que contribuam para a distribuição de renda entre os mais pobres. Com tais medidas, a quantidade de desperdiçados diminuirá e poder de compra das populações carentes aumentará, resultando em uma menor desigualdade representada pelo filme e pela realidade.