Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 30/10/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez, hoje, ele percebesse acerta da sua decisão: a postura governamental em relação à subnutrição e a má distribuição de alimentos na sociedade brasileira. Com isso, urge efetivar medidas a respeito da melhor distribuição e qualidade de alimentos para a nação, visando mitigar medidas contra a fome e o desperdício. Primeiramente, é imprescindível destacar que a sociedade capitalista distribui desigualmente seus componentes alimentares entre as populações desenvolvidas e subdesenvolvidas. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revelou que 30% de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo, o que deixa claro a má distribuição e irresponsabilidade das grandes potências, dotadas de recursos alimentícios, para com os demais, que sofrem com a subnutrição e fome. Por conseguinte, a população afetada pela escassez de alimentos é prejudicada no desenvolvimento de fatores que refletem no progresso nacional - econômico, intelectual e profissional- , já que, essa problemática interfere diretamente na contribuição do cidadão para com o desenvolvimento do país.
Outrossim, o escoamento da produção de alimentos também encontra barreiras no Governo, o que colabora para a perpetuação da subnutrição. Isso é notável pela falta de políticas públicas eficazes, relacionadas à alimentação, e, relativa apatia do Congresso quanto a essa pauta, sem perspectiva para aprovação dos projetos em andamento, que visam melhorar a distribuição de alimentos, o que desrespeita compromissos assumidos pelo Brasil na Conferência Rio +20. Dessa maneira, esse cenário se encaixa no que o pensador Zygmunt Bauman teoriza como ‘‘Instituição Zumbi’’: um poder que mantém a sua forma teórica, mas não cumpre, na prática, a sua função social, pois, enquanto a imobilidade do Estado for regra, o progresso de um país sem fome será exceção.
Entende-se,diante dos fatos mencionados que, a trágica relação entre a subnutrição e a má distribuição de alimentos deve ser combatida. Dessa maneira, cabe ao Governo, junto com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), desenvolver diretrizes para que a segurança alimentar seja garantida de maneira análoga aos que necessitam, diminuindo o preço desses alimentos e promovendo campanhas que estimulem os mercados a não desperdiçar mantimentos com prazo de validade estável. Ademais, é de suma importância que o Congresso Nacional estipule leis mais severas para a distribuição de alimentos em frente ao mapa da subalimentação, levando em conta os compromissos assumidos na Conferência Rio+20 e, ainda, visando a saúde e vitalidade da nação.