Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 03/11/2020
Thomas Malthus, importante economista da época da Revolução Industrial, fundou uma teoria a qual dizia que a população mundial crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos, em progressão aritmética. Segundo essa teoria, a fome existiria, pois há mais pessoas do que comida, porém, no contexto da atual sociedade, nós vemos a cada dia mais comida sendo produzida e mais pessoas passando fome. Os dois principais desafios para entendermos a subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos são: a Revolução Verde e a cultura demográfica dos países subdesenvolvidos.
Em primeiro lugar, é preciso entender por que o aumento da produção de alimentos não necessariamente contribui para a diminuição da fome. Isso se deve ao fato de que esses excedentes alimentares não são corretamente distribuídos. No contexto da Revolução Verde, fim da Segunda Guerra Mundial, houve um enorme investimento na infraestrutura do campo e a produção agrícola alcançou resultados nunca antes imaginados, o que, para muitos, resultaria em uma saída para o problema mundial da fome. Nessas circunstâncias, o que realmente ocorreu foi que quem possuía o acesso a uma alimentação devida passou a ter mais facilidade e quem não tinha esse acesso continuou sem ter pois ainda era exigido um valor que não estava na sua realidade. Como consequência, essa injusta capitalização dos alimentos aumentou ainda mais a desigualdade no mundo. Logo, quem tinha passa a ter mais e quem não tinha passa fome.
Em segundo lugar, é necessário entender como a negligência dos países subdesenvolvidos para questões demográficas contribui para a criação de um ambiente com maiores probabilidades de uma população subnutrida. Isso acontece devido a relação de crescimento populacional com o aumento da proporção de dependência de um país. Segundo a Teoria Neomalthusiana, um local com altas taxas de natalidade demanda uma maior quantidade de alimentos, além de apresentar também, em primeiro momento, uma alta porcentagem da população como sendo economicamente dependente. Consequentemente, caso um país adotasse uma política antinatalista por um período de tempo, como foi o caso da China com a política do filho único, resolveria boa parte de seus problemas.
Portanto, para se amenizar os desafios em relação ao tema, é necessário elaborar novas propostas. O Estado, devido ao seu papel transformador na sociedade, deve levar a oportunidade de qualidade de vida com uma alimentação justa à população, através de campanhas públicas que incentivem a diminuição do número de casais por filho e que levem alimento a locais carentes, com preço condizente a tal realidade, para que o ato de comer se torne parte do cotidiano de mais pessoas.