Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 18/11/2020

Na animação de 2009, “Tá Chovendo Hambúrguer”, o trabalho de Flint, um jovem cientista, sai de seu controle e causa uma queda exacerbada de comida do céu. Discordante do filme e da ideia ilusória de que, no século XXI, todos se alimentam bem, a fome ainda existe e causa morte. Por sua vez, a subnutrição é uma realidade derivada da má distribuição de alimentos, apesar da produção ser suficiente. Além da comida, há ausência de água adequada para o consumo, agravando a problemática. Ainda, as características da contemporaneidade como consumismo, imediatismo e individualismo criam um vácuo entre o problema e a solução, já que tornam a sociedade passiva.

Em primeiro lugar, cabe analisar um processo marcante na história da humanidade: a industrialização. Tendo seu início na Inglaterra, século XVIII, os aspectos da nova era fabril se propagaram até atingir o Brasil, no século XX, com a urbanização. Considerando tais fatos, é correto afirmar que, desde então, a produção de alimentos aumentou exponencialmente. No entanto, devido a desigualdade na distribuição de comida, aproximadamente 795 milhões de pessoas vivem em subnutrição, de acordo com o Jornal da Universidade de São Paulo no Ar. Ainda, segundo a pesquisadora em nutrição e pobreza, Ana Lydia, 50% da população não tem acesso a água potável. Assim, é possível constatar a incoerência do quadro atual; enquanto alguns têm abundância de recursos, outros falecem por falta deles - e a Constituição de 1988, que garante o saneamento básico a todos, à vista disso, é descumprida.

Ademais, a sociedade demonstra um caráter displicente frente à questão. Uma de suas características mais explícitas é o individualismo, haja vista que a grande massa não reage a um problema tão intolerável como a fome. Em Formigas, livro de autoria do William Douglas e Davi Lago, 2016, é analisado o funcionamento do coletivo desses insetos com pontuações em Provérbios, o livro da sabedoria. Assim sendo, é citada a relevância da iniciativa do indivíduo e do povo e do trabalho em equipe. Portanto, esses quesitos são fundamentais para uma transformação social que, sobretudo, envolve a preservação da vida, não deixando espaço para a postura passiva que retarda a solução.

Destarte, para que haja melhor distribuição de alimentos no país para minguar a subnutrição, o  Poder Executivo deve desenvolver um projeto que vise a propor a expansão da entrega de alimentos aos necessitados. Para isso, é necessária a mobilização de nutricionistas, nutrólogos e voluntários para a ação, por meio da divulgação do planejamento nos meios de comunicação. Desse modo, o órgão citado deve financiar as ações requeridas, além de anunciar a receptibilidade da doação de capital e de alimentos não perecíveis. Assim, as entregas devem ser feitas duas vezes ao mês. A animação de 2009, obviamente, não se concretizará, entretanto, a mudança é viável.